Trump endurece discurso no debate sobre 'Dreamers'

Washington, 9 Out 2017 (AFP) - Donald Trump mudou mais uma vez de postura: seu governo apresentou uma lista de "princípios" sobre a imigração que afasta a perspectiva de um compromisso com os democratas sobre o futuro dos "Dreamers", os jovens em situação ilegal que se beneficiam de um status temporário agora ameaçado.

Em um documento enviado no domingo (8) à noite ao Congresso, o Executivo americano apresenta - para a alegria da ala mais à direita do Partido Republicano - as condições para uma reforma migratória: financiamento do muro na fronteira com o México e aceleração dos processos de reenvio dos menores que chegam à fronteira.

A administração Trump também quer aumentar significativamente o número de funcionários envolvidos na aplicação dos textos, com a contratação extra de dez mil agentes para o ICE (Immigration and Customs Enforcement).

O Executivo propõe ainda uma reforma do sistema de visto de residência permanente (Green Card), que agora se basearia em um sistema de pontos. Também defende a abolição do esquema de loteria, segundo qual, desde 1994, 50 mil desses preciosos "green cards" são atribuídos aleatoriamente entre milhões de candidatos a cada ano.

"A reforma migratória deve criar mais empregos, salários mais altos e mais segurança para os americanos", escreveu Trump em uma carta ao Congresso para destacar por que as prioridades que ele apresenta são "necessárias".

Mas o calendário é apertado: nos próximos meses, os congressistas devem analisar o destino dos imigrantes ilegais protegidos pelo programa "Daca", criado por Barack Obama. A medida permitiu a entrega de documentos temporários para aqueles que chegaram ao país antes dos 16 anos.

Donald Trump suprimiu o programa, porém, com seis meses de suspensão, devolvendo a bola para o Congresso. Cerca de 690.000 jovens "Dreamers" (sonhadores) dispõem atualmente desse status.

- 'Moeda de troca' - Em meados de setembro, o presidente americano surpreendeu a todos, evocando os contornos de um acordo com os democratas sobre esse tema.

Este anúncio desconcertou sua base, mas também foi visto como um "golpe político" e uma prova da capacidade desse presidente que chegou ao poder sem experiência política para mudar as linhas em Washington.

Depois de um jantar na Casa Branca com "Chuck e Nancy" (Nancy Pelosi e Chuck Schumer, líderes das minorias democratas na Câmara dos Deputados e no Senado), um compromisso foi mencionado.

Em troca da regularização dos "dreamers", os democratas, que dispõem de uma minoria capaz de bloquear as atividades no Senado, concordaram em votar os créditos para aumentar a tecnologia (drones, detectores, etc.) e os meios para proteger as fronteiras com o México.

"Tenho certeza de que o presidente está sendo sincero", havia dito Nancy Pelosi, pouco depois desse anúncio surpreendente.

Três semanas depois, o tom mudou radicalmente.

Em um comunicado seco, Nancy Pelosi e Chuck Schumer rejeitaram fortemente as propostas do Executivo.

"Esta administração não pode ser séria quando fala em compromisso (...) se iniciar o debate com uma lista que é anátema para os 'dreamers', para a comunidade de migrantes e para a grande maioria dos americanos", declararam.

"Esta lista vai muito além do que é razoável", acrescentam, enfatizando que a lista inclui o muro "que foi explicitamente excluído das negociações".

No final da reunião, os democratas haviam assegurado que Donald Trump desistia temporariamente do muro, adiando para "mais tarde" a batalha pelo voto de créditos para sua construção.

Esses "princípios e prioridades" estabelecidos pelo governo Trump certamente devem ser vistos como o ponto de partida de uma longa negociação no Congresso.

Mas, tanto na substância quanto na forma, este anúncio não ajudará a abrir caminho para um texto de compromisso.

O representante democrata do Texas Joaquin Castro pediu ao Congresso que rejeite essas propostas que pecam em "humanidade".

"A Casa Branca quer usar os 'dreamers' como moeda de troca para alcançar seus objetivos em termos de expulsões", criticou.

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