Ai Weiwei homenageia a Nova York pró-imigração em grande exposição

Nova York, 11 Out 2017 (AFP) - Uma "jaula dourada" perto da Trump Tower, retratos de imigrantes pendurados em postes de luz: depois de percorrer campos de refugiados e filmar imigrantes em todo o mundo, o artista chinês Ai Weiwei celebra Nova York.

Para a ocasião, ele espalhou mais de 300 obras nas ruas da maior cidade dos Estados Unidos, terra de imigração por excelência.

"Good fences make good neighbors" ("Boas cercas fazem bons vizinhos", verso de um poema de Robert Frost) é o título da exposição, que começa oficialmente nesta quinta-feira (12) e deve seguir até fevereiro, quase uma carta de amor à cidade-mundo onde Ai Weiwei viveu de 1983 a 1993, e novo exemplo de sua empatia com os refugiados do planeta.

"Tinha que 'pagar' meu amor a esta cidade", declarou na terça-feira Ai WeiWei em uma entrevista coletiva no Central Park.

Queria prestar uma homenagem "à cidade onde todo jovem artista tem vontade de estar, onde você nunca se sente estrangeiro".

E Nova York devolve seu amor, como um santuário de proteção dos imigrantes que o governo de Donald Trump deseja deportar. As autoridades municipais deram um apoio considerável à exposição, organizada pela associação nova-iorquina The Public Art Fund.

"Nova York é a tela perfeita para o trabalho de Ai Weiwei, que nos faz refletir e favorece o progresso social", declarou o prefeito democrata Bill de Blasio em um comunicado.

A esposa do prefeito, Chirlane McCray, elogiou uma exposição que "chama a atenção sobre as divisões de nosso sistema político e confronta a xenofobia".

Há de tudo nas obras expostas tanto em Manhattan como no Bronx, Queens ou Brooklyn por este artista polivalente de 60 anos, sem dúvida hoje o artista chinês mais conhecido no mundo: de obras monumentais até bandeiras que representam imigrantes ilustres fixadas em 200 postes de luz, passando por grades discretamente anexadas a pontos de ônibus ou fotos de refugiados do mundo inteiro expostas em espaços habitualmente dedicados à publicidade.

Entre as obras monumentais, a que está exposta na entrada sudeste do Central Park certamente vai agradar os turistas.

A "jaula dourada" tem quase sete metros de altura. Toda em metal (mais laranja que dourado), incorpora cinco torniquetes de metal gigantes que recordam os do metrô de NY.

A jaula é visível da Trump Tower, onde Donald Trump morava em um apartamento repleto de dourado até sua mudança para a Casa Branca em janeiro.

"Eu fiz dourada para agradar" o presidente, disse o artista chinês, antes de criticar uma série de medidas anunciadas pelo governo de Trump.

Os Estados Unidos "estão tentando expulsar muitas pessoas e o decreto migratório, o muro que será construído entre Estados Unidos e México são medidas políticas impensáveis", declarou Ai, que vive entre Berlim e Pequim.

"Vivemos em uma época sem tolerância, uma (época) de divisões, tentamos nos separar de acordo com nossa cor, nossa raça, nossa religião, nossa nacionalidade".

Outra obra monumental, uma espécie de jaula prateada foi instalada sob o arco do Washington Square Park, perto do apartamento em que Ai Weiwei morou no Lower East Side.

Ao ser questionado sobre a China e seu governo, o artista, que foi detido e colocado em prisão domiciliar em seu país até 2015, não parece querer ter ambos como alvos prioritários.

"Cada vez me dou mais conta de que os direitos humanos são gerais, não apenas na China, mas no mundo inteiro", disse.

"Sempre devemos ver a humanidade como uma só, estamos todos conectados".

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