Família americana sequestrada por talibãs em 2012 é libertada no Paquistão

Rawalpindi, Paquistão, 12 Out 2017 (AFP) - Uma família americana capturada no Afeganistão em 2012 e em cativeiro desde então, foi libertada no Paquistão durante uma operação que o presidente americano Donald Trump chamou de "momento positivo" na relação dos dois países.

"O exército paquistanês resgatou cinco reféns ocidentais - um canadense, sua esposa americana e três filhos - que estavam detidos por terroristas, durante uma operação dos militares paquistaneses realizada com base em informações dos serviços de inteligência americanos", afirma um comunicado do exército paquistanês, que não revelou a identidade das pessoas resgatadas.

Pouco depois do anúncio, o presidente Trump revelou em Washington que se tratava do canadense Joshua Boyle, sua esposa, a americana Caitlan Coleman, e seus três filhos nascidos ao longo dos cinco anos de cativeiro.

"Ontem (quarta-feira, 11), o Governo americano, em coordenação com o Governo paquistanês, obteve a libertação da família Boyle-Coleman", declarou Trump.

"Agradeço ao governo paquistanês. Trabalharam muito, e acho que começaram a respeitar de novo os Estados Unidos. É muito importante", declarou à imprensa.

Após o anúncio, o governo do Canadá se disse "aliviado" de ter em liberdade seu cidadão Joshua Boyle e sua mulher.

O pai de Boyle, Patrick, disse ao jornal local The Star, após falar com seu filho, que ele "me disse que está bastante bem para alguém que passou os últimos cinco anos em uma prisão substerrânea".

O casal foi sequestrado em 2012 pelos talibãs durante uma viagem ao Afeganistão. A família apareceu em dezembro de 2016 em um vídeo dos insurgentes afegãos pedindo ao presidente dos Estados Unidos Barack Obama que os resgatasse.

Este ano, os pais de Caitlan Coleman pediram aos insurgentes, igualmente em um vídeo, que a família fosse libertada. Em novembro de 2015, eles receberam uma carta de sua filha, na qual anunciava o nascimento de dois filhos em cativeiro.

Segundo o exército paquistanês, "as agências de inteligência americanas seguiam os rastros [dos reféns] e comunicaram que a família havia sido levada para o Paquistão em 11 de outubro de 2017".

"A operação das forças paquistanesas, com base nas informações das autoridades dos Estados Unidos, foi coroada com o sucesso. Todos os reféns foram libertados com segurança e estão sendo repatriados para seu país de origem", afirma o comunicado.

O sucesso da operação "revela importância de compartilhar informação e o compromisso do Paquistão em combater a ameaça terrorista por meio da cooperação das forças contra um inimigo comum", ressaltou o exército paquistanês.

- Casal não embarca imediatamente -O casal não embarcou imediatamente num avião rumo aos Estados Unidos devido à preocupação de Boyle de que possa enfrentar escrutínio americano por ligações com um antigo preso de Guantanamo, disse um funcionário.

Falando sob condição de anonimato, o militar americano disse à AFP que a família estava hesitante sobre pegar o jato do exército americano.

Em 2009, Boyle foi casado por pouco tempo com Zaynab Khadr, irmã do canadense Omar Khadr, que passou uma década em Guantánamo - prisão militar americana na ilha de Cuba.

O militar disse que Boyle não será sujeito a nenhuma consequência se embarcar na aeronave dos Estados Unidos.

"Não é nossa intenção fazer qualquer coisa assim. Estamos preparados para trazê-los para casa", afirmou o funcionário do exército.

- 'Futuras operações comuns' -A libertação inesperada dos reféns coincide com um momento de tensão nas relações entre EUA e Paquistão, após um discurso no qual Trump foi muito crítico com o país em agosto passado.

No discurso em questão, Trump apresentou sua estratégia para o Afeganistão e acusou o Paquistão de atuar "muitas vezes como um refúgio para os agentes do caos, da violência e do terror".

Nesse contexto, a libertação da família é "um momento positivo no relacionamento do nosso país com o Paquistão", afirmou o presidente americano nesta quinta-feira.

"A cooperação do governo paquistanês é um sinal de que está cumprindo as demandas dos Estados Unidos de fazer mais para melhorar a segurança na região", disse Trump.

"Esperamos que este tipo de cooperação e colaboração sejam replicados para libertar os reféns restantes e nossas futuras operações antiterroristas comuns", acrescentou.

Em breve, o secretário de Estado Rex Tillerson e o secretário de Defesa James Mattis visitarão o Paquistão para lembrar Islamabad que o apoio aos grupos extremistas deve cessar, segundo autoridades americanas.

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