América primeiro ou América isolada? Veja a agenda de retirada

Washington, 13 Out 2017 (AFP) - Desde que o presidente Donald Trump tomou posse em janeiro, os Estados Unidos abandonaram ou ameaçaram abandonar diversos acordos internacionais segundo a sua política "América primeiro".

Os conselheiros de Trump insistem em que o slogan não implica em um posicionamento isolacionista, mas um padrão de desvinculação de compromissos multilaterais começou a aparecer.

Nesta sexta-feira, enquanto Trump ameaçava sair do acordo nuclear com o Irã a qualquer momento, comentários surgiram sobre o seu discurso.

Richard Haass, que comandou o Departamento de Estado durante a presidência de George W. Bush, chamou a ação de "doutrina da retirada".

O ex-primeiro-ministro sueco e atual presidente do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Carl Bildt, disse que Trump será conhecido como o "grande quebrador de acordos".

A seguir alguns dos acordos que Trump abandonou ou ameaçou:

- Retirada -- Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (12) a sua saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), acusando-a de ser "anti-israelense". A retirada deve entrar em vigor no final de 2018, quando estabelecerão uma "missão de observação" para substituir a representação da Unesco.

- Em 1º de junho, Trump comunicou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre a Mudança Climática, assinado por 195 países em 2015, e a sua intenção de encontrar "um novo acordo" mundial sobre o tema. O presidente qualificou o pacto de "muito injusto" para seu país porque, em sua opinião, permite ao resto das nações tirar vantagem dos Estados Unidos. A saída efetiva não acontecerá antes de novembro de 2020.

- Desde a sua chegada à Casa Branca, em 20 de janeiro, Donald Trump retirou os Estados Unidos do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), assinado em 2015 com 11 países da região Ásia-Pacífico, que representa 40% da economia mundial. Em seu lugar, pretende assinar acordos bilaterais a fim de conseguir que "os empregos e a indústria voltem ao território americano".

- Renegociação -- Donald Trump se comprometeu a "destruir" o acordo nuclear assinado em julho de 2015 entre o Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha). Nesta sexta-feira resolveu se negar a "certificar" que Teerã esteja respeitando os seus compromissos, apesar da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) dizer que estava respeitando-o. O presidente deixou que o Congresso decida o futuro do texto.

- Trump ordenou a renegociação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), que une Estados Unidos, México e Canadá desde 1994. De acordo com o presidente, o acordo contribuiu para "deslocalizar" a indústria americana para o México. Menos dura é a sua atitude com o Canadá, principal cliente e provedor de petróleo dos Estados Unidos. Se as negociações sobre uma versão "melhorada" do pacto não forem concluídas antes do fim do ano, Washington o abandonará e o substituirá por acordos bilaterais com seus dois vizinhos.

- Trump demanda uma reforma da ONU, à qual denuncia por sua "burocracia e má gestão", fazendo valer o fato de que os Estados Unidos são o seu principal contribuinte. Na quinta-feira, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, disse que Washington continuará analisando o seu "nível de compromisso" com cada uma das agências do sistema das Nações Unidas.

- Críticas -- O presidente dos Estados Unidos qualificou de "obsoleta" a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), antes de se retratar e pedir aos países-membros que aumentem os seus orçamentos militares. Em maio, evitou outorgar um apoio explícito ao Artigo 5, que prevê que os aliados acudam em defesa de um dos sócios em caso de ameaça exterior.

- Trump vem denunciando com regularidade as medidas "protecionistas" da União Europeia e o déficit comercial de seu país com a Alemanha, objeto, junto com a Itália, de investigações sobre um suposto dumping nas importações de aço. As negociações sobre o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), lançadas em 2013, permanecem bloqueadas pelo crescente rechaço que geram na sociedade civil e em alguns países europeus.

- A Organização Mundial do Comércio (OMC) está na mira da administração Trump. Durante a reunião no começo de julho do G20 em Hamburgo, na Alemanha, o secretário do Tesouro nos Estados Unidos, Steven Mnuchin, não excluiu renegociar os acordos comerciais multilaterais que a OMC deve aplicar e que impediriam, por exemplo, os Estados Unidos de concretizar o seu projeto de "Border Adjustement Tax" em favor de seus exportadores e em detrimento dos importadores. Não obstante, o projeto divide o governo e o próprio Trump acha que é "muito complicado".

bur-cyj/elc/dg/jb/cb/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos