Bagdá e Curdistão ampliam prazo para evitar confronto em Kirkuk

Solimania, Iraque, 15 Out 2017 (AFP) - Os governos do Iraque e do Curdistão iraquiano anunciaram neste domingo um dia a mais de prazo para tentar resolver a crise por meio do diálogo e evitar um conflito armado na província de Kirkuk.

Ao meio-dia, o presidente iraquiano Fuad Masum, que é curdo, se reuniu com o presidente do Curdistão autônomo, Masud Barzani, idealizador do referendo de independência celebrado em 25 de setembro na região, apesar da oposição de Bagdá.

Importantes dirigentes da União Patriótica do Curdistão (UPK), o partido de Masum, rival do Partido Democrático Curdo (PDK) de Barzani, estavam na reunião em Dukan, na província de Solimania, reduto do UPK.

Masum vai apresentar aos líderes curdos um projeto, afirmou um de seus conselheiros, Abdallah Aliwai.

O projeto, que não teve o conteúdo revelado, tem como base o "diálogo e a negociação para evitar o conflito e a violência", disse Aliwai.

Os peshmergas - combatentes curdos - pertencem aos dois partidos. Mas os que estão em Kirkuk - e que o exército iraquiano quer retirar da região - são vinculados ao UPK.

Bagdá prolongou por 24 horas o ultimato para a saída dos combatentes curdos das áreas que passaram a ocupar há três anos nesta rica área petroleira do sul do Iraque, quando aproveitaram o caos provocado por uma ofensiva do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Milhares de soldados iraquianos e curdos estavam frente a frente em Kirkuk às 2H00 de domingo (20H00 de sábado, horário de Brasília)), prazo limite para a retirada.

Os peshmergas curdos ocuparam várias posições na província de Kirkuk após a confusão provocada pela ofensiva do EI em junho de 2014.

Após o referendo de independência curdo, impugnado por Bagdá, a tensão se concentrou nesta área.

Os blindados das forças iraquianas se posicionaram no sábado nas margens do rio que fica no limite sul de Kirkuk.

Do outro lado do rio estavam os peshmergas - combatentes curdos.

"Nossas forças não se movimentam e esperam as ordens do Estado-Maior", afirmou à AFP um oficial iraquiano que pediu anonimato.

No momento de tensão, Washington pediu calma por temer uma explosão de violência entre as forças iraquianas e curdas, que lutam como aliados dos Estados Unidos na coalizão internacional contra o EI.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, repete que não deseja iniciar uma guerra com os curdos, enquanto estes insistem que a escalada não começará com eles.

Neste domingo, o Irã desmentiu o fechamento da fronteira terrestre com o Curdistão iraquiano, como havia informado uma fonte curda à AFP.

Um porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores negou a informação e recordou que apenas "a fronteira aérea está fechada a pedido do governo central iraquiano".

Desde que o referendo de 25 de setembro no Curdistão iraquiano, Irã, Iraque e Turquia - países com importantes minorias curdas - coordenam suas ações para pressionar as autoridades curdas iraquianas.

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