Conservadores de Merkel perdem importantes eleições regionais

Berlim, 15 Out 2017 (AFP) - O partido conservador da chanceler Angela Merkel sofreu neste domingo uma derrota nas eleições regionais da Baixa Saxônia, um duro golpe a dois dias do início das negociações para formar o próximo governo alemão.

Os social-democratas (SPD) venceram as eleições deste estado do norte do país, conquistando entre 37% e 37,5% dos votos, à frente do partido de Merkel, União Democrata Cristã (CDU), que obteve 35% dos sufrágios, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pelas televisões públicas ZDF e ARD.

O Partido Verde (de 8% a 8,5%) ficou em terceiro lugar, superando os liberais do FDP (7% a 7,5%), e ultradireitista Alternativa para Alemanha (AfD) (5,5%), que entrará em um 14º parlamento regional, três semanas depois de ter acesso pela primeira vez à Câmara dos Deputados federal.

Este resultado é uma boa notícia para o líder social-democrata Martin Schulz, que sofreu neste ano três derrotas em eleições regionais e uma humilhação nas legislativas.

Antes desta, ocorrida em 24 de setembro, a CDU acreditava poder vencê-la dos social-democratas e dos Verdes na Baixa Saxônia.

- Vantagem -Essas eleições antecipadas ocorreram depois que uma parlamentar ecologista abandonou a maioria que permitia um governo regional do SPD para se unir à CDU.

Os conservadores lideraram durante muito tempo as intenções de voto, levando o líder dos social-democratas na Baixa Saxônia, Stephen Weil, a declarar neste domingo que tiveram "sucesso" após uma "larga vantagem".

A derrota da CDU, três semanas depois que o partido venceu as legislativas com seu pior resultado em décadas, ocorre em um mau momento para a chanceler, que chegará enfraquecida na quarta-feira para o início das negociações com os liberais do FDP e os Verdes para formar uma coalizão inédita no governo a nível federal.

Nas próximas semanas, os líderes dos partidos também lutarão pelas cotas no governo por temas-chave que muitas vezes os separam, como a política migratória, em um país que recebeu em 2015 mais de um milhão de demandantes de asilo.

- Discrepâncias -Os Verdes advogam por uma política generosa com os refugiados e repudiaram o acordo recente entre a CDU e seu aliado CSU de fixar um máximo de 200.000 pedidos de refúgio por ano.

Os ecologistas também apoiam uma "solidariedade europeia", enquanto o FDP rejeita qualquer reforma da União Europeia financiada pelo contribuinte alemão.

"Sou cético sobre a possibilidade de um acordo", disse Oskar Niedermayer, cientista político da Universidade Livre de Berlim.

Por enquanto todos os partidos se negam a fazer concessões: os Verdes porque querem manter a sua base ecologista, o FDP porque quer se proteger do trauma que significou a sua aliança com Merkel em 2009, e a CSU porque quer vencer as eleições na Baviera no ano que vem.

Depois de 12 anos à frente da economia mais importante da União Europeia, a chanceler enfrenta críticas dos elementos mais conservadores de seu partido, sobretudo de seus aliados da CSU.

Estes querem endurecer a política migratória para recuperar os eleitores que migraram para a AfD nas legislativas.

Em caso de derrota na Baixa Saxônia, "as queixas no seio da União (Democrata Cristã) devem aumentar. E isso poderia complicar as negociações sobre a coalizão para Merkel", avisou antes das eleições o semanário Der Spiegel.

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