Incêndios em Portugal e na Espanha deixam quase 40 mortos

Vouzela, Portugal, 16 Out 2017 (AFP) - Trinta e nove pessoas morreram nos incêndios florestais que continuavam a atingir nesta segunda-feira (16) Portugal e a região vizinha da Galícia, na Espanha, após vários meses de seca e a passagem do furacão Ophelia.

Segundo o último balanço das autoridades, estes incêndios deixaram 36 mortos no centro e no norte de Portugal, onde sete pessoas estão desaparecidas, e três falecidos na Galícia.

"Ainda há lugares aonde os serviços de emergência não chegaram, portanto o balanço continua sendo provisório", afirmou em uma entrevista coletiva a porta-voz da Defesa Civil, Patricia Gaspar.

Entre as vítimas confirmadas há um bebê de um mês, acrescentou.

Os incêndios também deixaram 63 feridos, entre os quais 16 estão em estado grave, segundo a mesma fonte.

Cerca de 3.000 bombeiros trabalham em todo o país para tentar apagar os incêndios, mas mais de trinta de focos "importantes" continuavam ativos e um número indeterminado de povoados permaneciam sob a ameaça das chamas.

Na Galícia, as autoridades contabilizam uma quinzena de focos ativos potencialmente perigosos para a população.

Após confirmar um balanço provisório de três mortos em sua região, o presidente galego, Alberto Núñez Feijóo, assegurou que a situação continuava sendo "muito preocupante" e anunciou três dias de luto na Galícia.

As autoridades de Portugal e da Espanha esperam que a chuva e a queda das temperaturas previstas ajudem a deter as chamas.

O fogo foi propagado por rajadas de vento de até 90 km/h provocadas pelo furacão Ophelia, que avançava pelo norte da costa espanhola em direção à Irlanda.

- Catástrofe pública -"Fomos atingidos por uma seca severa e o país foi varrido por ventos fortes ontem (domingo) por causa do furacão Ophelia que passou pelas proximidades", afirmou a ministra portuguesa do Interior, Constança Urbano de Sousa.

Portugal registrou 524 incêndios no domingo, algo inédito desde 2006, ressaltou o primeiro-ministro Antonio Costa.

Em junho, o país enfrentou o incêndio mais mortal de sua história, que deixou 64 mortos e mais de 250 feridos perto de Pedrógão Grande, no centro do país.

Entre o início de janeiro e o final de setembro, quase 216 mil hectares de vegetação foram queimados, de acordo com uma estimativa do Instituto de Conservação da Natureza e Silvicultura.

Ao contrário da tragédia de Pedrógão Grande, onde as vítimas morreram em um único incêndio de violência sem precedentes, as vítimas deste domingo e segunda-feira pereceram em vários incêndios no centro e norte do país.

Em um povoado próximo ao município de Vouzela, o fogo destruiu várias casas, e os moradores tentavam apagar as chamas com regadores, segundo um jornalista da AFP no local.

- 'Bola de fogo' -Os canais de televisão portugueses transmitiam ininterruptamente imagens de chamas devastando árvores e casas sob o olhar de habitantes aterrorizados, que tentavam, em vão, frear o avanço do fogo ou abandonavam suas ruas.

"A maioria das vítimas morreu em seus carros, mas também encontramos vítimas no interior de suas casas", explicou o prefeito de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, à televisão pública RTP.

"Toda a cidade parecia uma bola de fogo, rodeada pelas chamas por todos os lados", descreveu, acrescentando que mais de uma centena de famílias perderam suas casas neste município de 20.000 habitantes.

Na Galícia, duas pessoas ficaram presas em seu veículo perto de Nigran enquanto tentavam fugir. Um homem idoso também foi encontrado morto em um galpão atrás de sua casa em Carballeda de Avia.

Nesta segunda-feira, o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, acusou "incendiários" de estarem por trás da maior parte dos inúmeros incêndios.

"O que estamos vivendo aqui é algo que não acontece por acaso, isso foi provocado", declarou Rajoy a jornalistas após fazer um minuto de silêncio em homenagem às três vítimas fatais em Pazos de Borben, na Galícia, região onde o chefe de governo nasceu.

Durante a madrugada, vários incêndios provocaram evacuações perto da cidade portuária de Vigo, a mais populosa da região, com cerca de 300.000 habitantes.

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