Exército iraquiano se mobiliza em todas as zonas em disputa em detrimento dos curdos

Bagdá, 18 Out 2017 (AFP) - O Exército iraquiano pretende se mobilizar em todo o país, depois de recuperar em 48 horas quase todas zonas das quais os combatentes peshmergas curdos haviam se apoderado progressivamente desde 2003, especialmente na província petrolífera de Kirkuk.

"Não se trata de uma operação militar e sim de um reposicionamento das forças em todas as regiões para aplicar a lei", afirmou nesta quarta-feira à AFP o general Yehya Rasul, porta-voz do Comando Conjunto de Operações (JOC).

As forças iraquianas asseguram ter alcançado seus objetivos na região de Kirkuk ao fim de uma operação de 48 horas lançada em zonas fora do Curdistão autônomo, tomadas pelos combatentes curdos peshmergas em 2014, durante o caos provocado pela ofensiva-relâmpago dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

"O restabelecimento da segurança em setores de Kirkuk terminou, incluindo em Debes, Al-Mutaka e nos campos de petróleo de Kahbaz, Bay Hassan norte e sul", informou o JOC em comunicado.

"As forças voltaram a se mobilizar e retomaram o controle de Khanaqin e Jalawla na província de Dyala, assim como em Makhmur, Baachiqa, a represa de Mossul, Sinjar e outras zonas da planície de Nínive", acrescentou o comunicado.

Segundo um jornalista da AFP em Kirkuk, já não se vê nenhum peshmerga nessa cidade, onde há apenas forças do governo central.

- 'Os limites do Curdistão' -"Os curdos perderam quase os 23.000 km2 que ocuparam progressivamente desde 2003", destaca o geógrafo francês Cyril Roussel.

"Há quase um retorno aos limites das três províncias que formam a região autônoma do Curdistão", acrescenta este especialista.

"É uma nova Anfal para o Curdistão", lamentou em comunicado o vice-presidente da região, Kosrat Rasul, em referência a uma violenta operação lançada em 1987-1988 por Saddam Hussein contra os curdos, na qual morreram mais de 180.000 pessoas e mais de 3.000 povoados foram destruídos.

Desde a invasão americana de 2003, os peshmergas se apoderaram progressivamente de 23.000 dos 37.000 km2 que constituem as zonas que o Curdistão autônomo reivindica ao governo central.

"A autoridade do poder central deve ser restabelecida em todo o Iraque, tenho que ser imparcial com todos os cidadãos", afirmou na terça-feira à noite o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

Mas o revés mais duro para os curdos foi a perda dos campos de petróleo de Kirkuk, que frustra suas esperanças de fundar um Estado independente separado do Iraque.

Até agora, o Curdistão exportava quase 75% da produção petroleira de Kirkuk, apesar da oposição de Bagdá.

O ministro iraquiano do Petróleo, Jabbar al-Luaibi, pediu à empresa British Petroleum (BP) "que tome o mais rápido possível as medidas necessárias para desenvolver as infraestruturas petroleiras de Kirkuk".

Seu ministério havia assinado um contrato de consultoria com a BP em 2013 para estudar as reservas e encontrar os meios de desenvolver os campos de Baba Gargar, o mais antigo do Iraque e cuja exportação remonta a 1927, e de Havana.

- Sessão parlamentar adiada -Segundo a petroleira pública iraquiana North Oil Company, os técnicos voltaram aos campos de Bay Hassan e Havana para retomar a produção.

"Com a perda destes campos, a carteira curda se vê dividida por dois", destaca Roussel. "É o fim da autonomia econômica do Curdistão e do sonho de independência".

Os dois grandes partidos do Curdistão iraquiano entraram em guerra aberta depois do êxito das tropas iraquianas frente aos peshmergas.

Vários funcionários de alto escalão da União Patriótica Curda (UPK) acusam de "roubo" de recursos o presidente do Curdistão, Massud Barzani, líder do Partido Democrático do Curdistão (PDK).

Barzani expressou o seu ressentimento com os dirigentes do UPK e acusou "algumas pessoas que pertencem a um partido político de abrir a via para este ataque que provocou a retirada dos peshmergas".

Neste clima de crise, a reunião do Parlamento autônomo curdo prevista para esta quarta em Erbil foi "adiada sem data", informou à AFP o deputado do PDK Farhan Johar.

"O UPK quer um adiamento das eleições de dois anos, mas nós só aceitamos oito meses", explicou.

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