Rojda Felat, a comandante curda e rosto da vitória contra o EI em Raqqa

Em Beirute

  • BULENT KILIC/AFP

Sorrindo e carregando um fuzil nas costas, Rojda Felat posa para fotógrafos na emblemática rotatória de Al-Naim em Raqqa, onde o grupo Estado Islâmico (EI) realizava suas execuções. A comandante curda pode saborear sua vitória, tendo liderado a ofensiva contra os extremistas.

As Forças Democráticas Sírias (FDS) anunciaram na terça-feira que recuperaram o controle total de Raqqa (norte), e em Al-Naim Felat celebrou a vitória, empunhando a bandeira amarela desta aliança de combatentes curdos e árabes.

De uniforme militar, cabelo ondulando sobre o rosto, coloca a bandeira na cerca onde os extremistas expunham as cabeças recém-cortadas de suas vítimas executadas. As fotos rodaram o mundo.

A mulher de 30 anos liderou a primeira fase da ofensiva "Fúria do Eufrates", antes de entrar para o comando das FDS nas fases seguintes que permitiram derrotar os extremistas em Raqqa depois de meses de violentos combates.

Estado Islâmico é expulso de Raqqa, sua ex-capital na Síria

Natural de Qamichli (nordeste da Síria), não deve nada a seus modelos, que ela menciona em entrevistas à imprensa: a revolucionária comunista Rosa de Luxemburgo, Napoleão ou Saladino, o guerreiro do islamismo de origem curda que conquistou Jerusalém no século XII.

Bandeira da vitória

Para Nesrine Abdullah, porta-voz das Unidades de Proteção da Mulher (YPJ), força curda exclusivamente feminina, o gesto de Rojda na praça Al-Naim é simbólico.

Com entusiasmo, destaca a importância para uma mulher de "exibir a bandeira da vitória na capital do EI, onde foram cometidas as piores atrocidades contra as mulheres, transformadas em escravas a seu serviço ou em máquinas para cumprir seus desejos".

"Ela é uma combatente que representa a mulher livre, uma combatente que luta pela liberdade das mulheres", acrescenta a porta-voz, que salienta que Felat contribuiu para a criação das YPJ.

Agora entrincheirados em suas últimas fortalezas no Iraque e na Síria, os extremistas impuseram durante muitos anos um reinado do terror nos territórios conquistados após seu apogeu em 2014.

As mulheres não escaparam das perseguições, apedrejadas quando eram suspeitas de adultério, ou vendidas como escravas sexuais, no caso das mulheres yazidis.

Os membros das YPJ não poupam elogios: "o espírito de camaradagem, espírito de equipe, sempre consciente da nossa responsabilidade", afirma Jihan Cheikh Ahmed, porta-voz da ofensiva Fúria do Eufrates.

"São características que são encontradas nas Unidades de Proteção da Mulher, e todas as comandantes, em particular Rojda, encarnam essa personalidade", acrescenta.

Na terça-feira, na praça Al-Naim - paraíso, em árabe -, chamada de rotatória do inferno no tempo extremista, Rojda Felat festejou um momento "histórico".

"É difícil expressar nossa alegria: reconhecemos nossos camaradas mártires e todos aqueles que colaboraram para a libertação de Raqqa", disse ela em um vídeo postado no YouTube e dirigido aos combatentes curdos.

"É um momento histórico, sabemos que vai mudar muitas coisas", acrescentou.

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