Rajoy e Puigdemont, protagonistas do conflito político na Catalunha

Madri, 19 Out 2017 (AFP) - O governo espanhol do conservador Mariano Rajoy anunciou que avança nos trâmites para uma intervenção na autonomia da Catalunha, depois que seu presidente, Carles Puigdemont, advertiu que o Parlamento regional poderia votar a independência unilateral, se o seu pedido de diálogo não fosse atendido.

Conheça os dois protagonistas da pior crise política na Espanha em décadas:

- Mariano Rajoy -O líder do conservador Partido Popular (PP), de 62 anos, é presidente do governo espanhol desde dezembro de 2011. Após as legislativas de 2016, governa em minoria com o apoio do partido liberal Ciudadanos, surgido na Catalunha para lutar contra o separatismo.

O PP é apenas a quinta força política na Catalunha, onde obteve 13% dos votos nas últimas eleições regionais em 2015 e tem apenas uma Prefeitura.

Rajoy lutou contra o novo estatuto de autonomia da Catalunha aprovado em 2016, que dava mais competências à região, além de elevá-la ao nível "nação". Com base em um recurso apresentado por seu partido, o Tribunal Constitucional o anulou parcialmente, deflagrando a ira de muitos catalães.

Seus críticos acusam-no de ter deixado a questão catalã crescer e de ter, com isso, contribuído para que a causa separatista ganhasse força. Rajoy insiste em que não pode negociar a celebração de um referendo na região, alegando que é incompatível com a Constituição.

Nesta quinta-feira, seu governo anunciou que um conselho de ministros enviará no sábado (21), para aprovação do Senado, as medidas a serem adotadas sob o artigo 155 da Constituição. Isso permitirá a intervenção na administração catalã.

- Carles Puigdemont -Ex-jornalista de 54 anos, o presidente catalão milita pela independência desde a juventude.

Chegou à Presidência da região no começo de 2016, quando a CUP, partido de extrema esquerda de cujo apoio precisa na Câmara regional, exigiu a partida de seu antecessor Artur Mas, a quem culpava pelas políticas de austeridade aplicadas durante a crise.

Puigdemont não deu sinais de ter desistido de declarar a independência, apesar das pressões das empresas e do Estado espanhol.

Atualmente, é alvo de uma investigação por "desobediência", "prevaricação" e "desvio de recursos públicos" pela organização do referendo.

Em uma sessão confusa do Parlamento catalão em 10 de outubro, ele disse que assumiria "o mandato de que a Catalunha se tornasse um Estado independente na forma de uma república", mas pediu a suspensão dos "efeitos da declaração de independência".

Nesta quinta-feira, em uma carta a Rajoy, disse que o Parlamento catalão não votou a declaração de independência, mas alertou que, se o governo central ignorar seu pedido de diálogo e não interromper a "repressão", irá votar.

bur-lbx-du/al.

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