Cerca de 450.000 pessoas exigem a declaração da independência na Catalunha

Barcelona, 21 Out 2017 (AFP) - Cerca de 450.000 separatistas catalães liderados pelo presidente regional, Carles Puigdemont, protestaram neste sábado à tarde em Barcelona pedindo "liberdade" e "independência", depois que o governo central anunciou sua decisão de destituir o governo catalão.

"É hora de declarar a independência", disse à AFP Jordi Baltá, de 28 anos, funcionário de uma papelaria, acrescentando que já não há espaço para o diálogo.

A polícia local de Barcelona, a Guarda Urbana, registrou um total de 450.000 manifestantes, mais do dobro que no último protesto separatista, na terça-feira.

A manifestação tinha sido convocada, originalmente, para exigir a libertação de dois líderes de organizações independentistas, Jordi Cuixart, da Omnium Cultural, e Jordi Sánchez, da Assembleia Nacional Catalã, presos por suspeita de sedição.

No entanto, o anúncio do governo de Mariano Rajoy de que pedirá ao Senado - a câmara competente - a destituição do governo independentista e a convocatória de eleições regionais em seis meses realçaram o perfil do protesto.

A chegada de Puigdemont à frente do cortejo foi saudada com gritos de "presidente, presidente!". Ao seu lado, se colocaram os demais membros do executivo catalão, ameaçados se o Senado - onde o PP de Rajoy tem maioria absoluta - aprovar as medidas do chefe de governo.

"Nos sentimos catalães, e o sentimento de espanhóis já não existe, o povo catalão está desconectado completamente das instituições espanholas, sobretudo do que é o Estado espanhol", disse Ramón Millol, mecânico de 45 anos.

"Me sinto totalmente indignada e sumamente triste, porque sinto que eles pisam em nossos direitos e em nossas ideias como catalães", afirmou Meritxell Agut, bancária de 22 anos.

"Podem destruir o governo, podem destruir tudo que quiserem, mas nós vamos continuar lutando", assegurou Agut.

- "Vão embora!" -A sociedade catalã está dividida entre os que querem a independência e os que não a querem, mas a intervenção do governo espanhol na administração regional poderia desagradar parte do segundo grupo, como escreveu no Twitter a prefeita de Barcelona, Ada Colau: "Rajoy suspendeu o autogoverno da Catalunha pelo qual tanta gente lutou. Um grave ataque aos direitos e liberdades de todos, aqui e em todos os lugares".

A manifestação se estendia além das quatro ruas da cêntrica e larga avenida do Paseo de Gracia que tinham sido previstas inicialmente, em um sábado ensolarado.

Como é habitual, a bandeira dominante foi a independentista catalã, a "estelada" (estrelada) por uma estrela branca sobre um fundo azul.

Os manifestantes vaiavam, insultavam e levantavam o dedo do meio a cada vez que um helicóptero da polícia espanhola sobrevoava o protesto com um barulho ensurdecedor.

"Vão embora!", disse irritado Baltá, olhando para o céu.

Rajoy se amparou no artigo 155 da Constituição para solicitar à câmara alta do legislativo que tome o controle da administração catalã.

Além disso, o chefe de governo pediu o poder de dissolver o Parlamento da Catalunha, atualmente nas mãos de Puigdemont, para "convocar eleições em um prazo máximo de seis meses".

- "Excessivo" -O presidente catalão não respondeu ainda, mas fará isso em uma mensagem institucional esta noite às 21H00 (17H00 em Brasília). Esta semana, ameaçou com uma proclamação unilateral de independência se o artigo 155 fosse aplicado, baseando-se no referendo inconstitucional de 1 de outubro, no qual a independência ganhou.

"A aplicação do 155 é excessiva", lamentou José Rodríguez, funcionário público de comunicações de 41 anos.

Puigdemont poderá apresentar alegações no Senado para evitar as medidas de Rajoy.

Os manifestantes expressavam seu descontentamento com os jornalistas de meios nacionais, aos gritos de "imprensa espanhola, manipuladora!".

Joan Cañalas Ríos, operário metalúrgico de 56 anos, disse que "o povo é que tem o direito e a lei".

"Queremos mais democracia, mais diálogo, manifestar-se é a nossa forma de protestar", afirmou, antes de lembrar "os Jordis", como são chamados Cuixart e Sánchez, que qualificou de "presos políticos".

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