Tillerson visita Riad e Doha com o Irã em mente

Riade, 22 Out 2017 (AFP) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, esforçava-se neste domingo (22) no Golfo para conter a influência do Irã no Oriente Médio, enquanto não tinha grandes esperanças de avançar na crise entre a Arábia Saudita e o Catar.

O chefe da diplomacia americana assistiu em Riad ao primeiro encontro da Comissão de Coordenação saudita-iraquiana, lançada solenemente pelo rei Salman da Arábia Saudita e pelo primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi.

"Os Estados Unidos apoiam uma cooperação reforçada entre a Arábia Saudita e o Iraque", disse ele, pedindo aos dois países que "continuem expandindo essa relação vital para a estabilidade da região" e "para a nossa segurança coletiva".

Esta comissão representa "um importante passo para o fortalecimento de nossas relações bilaterais" em favor da "paz e estabilidade", declarou o chefe do governo iraquiano, enquanto o soberano saudita lembrou que a região é "confrontada a desafios importantes, sob a forma de extremismo, terrorismo e tentativas de desestabilizar nossos países".

O Irã, que não foi mencionado pelo nome, estava em todos os pensamentos.

A aproximação entre o reino sunita e o Iraque é encorajada pelos Estados Unidos, que a vê como uma boa maneira de frustrar as ambições regionais do Irã xiita.

Em face de seu inimigo, a Arábia Saudita começou a se aproximar de Bagdá, após muito tempo de relações difíceis com os governos iraquianos predominantemente xiitas e próximos de Teerã desde 2003.

- Impasse -A visita de Rex Tillerson ocorre menos de dez dias após a apresentação por Donald Trump de sua estratégia contra o regime iraniano, acusado de "semear morte, destruição e caos em todo o mundo".

Questionando o acordo nuclear iraniano, que é querido pelos seus aliados europeus, o presidente americano explicou que quer lutar contra as atividades "prejudiciais" do Irã, particularmente com o regime de Bashar al-Assad na Síria, onde Washington agora prevê uma era de transição com o anunciado "fim" do "califado do Estado Islâmico".

O Iêmen, onde Teerã apoia os rebeldes xiitas contra forças leais ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, apoiado por uma coalizão árabe liderada por Riad, também deve estar no cerne das conversas de Rex Tillerson com os líderes sauditas.

A proximidade com o Irã é também o que a Arábia Saudita, Bahrein, os Emirados Árabes Unidos e o Egito culpam o Catar.

Em 5 de junho, duas semanas após a visita de Donald Trump a Riad, os quatro países árabes romperam os laços diplomáticos com Doha, também acusada de apoiar o "terrorismo", e impuseram um estrito bloqueio econômico ao emirado.

O Catar rejeita essas acusações e denuncia uma tentativa de "colocar sob tutela" sua política externa por este "quarteto".

Desde então, esta crise de seriedade sem precedentes para o Golfo está em um impasse, apesar da mediação do Kuwait e do otimismo de Donald Trump, que previa um rápido resultado positivo há um mês.

Rex Tillerson, que já esteve na região em julho, deve chegar em Doha neste domingo à tarde, logo após Riad.

Desta vez, "eu realmente não espero uma resolução rápida", admitiu, acrescentando que cabe aos líderes do quarteto dos países árabes que se opõem ao Catar "dizer quando querem dialogar".

O giro de Rex Tillerson o levará para o Paquistão e a Índia pela primeira vez, onde discutirá o conflito no Afeganistão, bem como Genebra.

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