Membros do governo catalão pressionam Puigdemont a convocar eleições

Barcelona, 25 Out 2017 (AFP) - Vários integrantes do governo independentista catalão pressionam o presidente Carles Puigdemont a convocar eleições regionais antecipadas e evitar uma intervenção iminente na autonomia da Catalunha, informou uma fonte ligada ao dirigente.

A dois dias da aprovação pelo Senado das medidas para concretizar a intervenção, a fonte confirmou informações divulgadas pela imprensa sobre as divisões internas.

De acordo com a fonte, Puigdemont ainda não tomou uma decisão e está examinando os prós e contras para uma solução à disputa secessionista.

"Tem consciência das condições de tudo", tanto da aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola, invocado pelo governo central do primeiro-ministro Mariano Rajoy para intervir na autonomia catalã, como de uma convocação eleitoral clássica, que supõe acatar a ordem constitucional, disse à AFP a fonte.

De acordo com o jornal 'El Periódico de Cataluña', o vice-presidente catalão Oriol Junqueras não quer tomar uma posição e optou por aguardar.

As últimas eleições regionais na Catalunha aconteceram em 27 de setembro de 2015 e deram uma grande maioria aos independentistas.

A antecipação das eleições poderia evitar a intervenção anunciada no sábado passado pelo governo de Mariano Rajoy.

Entre as medidas que serão adotadas em caso de intervenção figuram a destituição em bloco do governo independentista catalão, a convocação de eleições regionais no prazo máximo de seis meses, a tomada de controle da polícia catalã - os Mossos d'Esquadra - e dos meios de comunicação públicos, assim como uma tutela rígida ao Parlamento catalão.

As medidas nunca foram aplicadas em 40 anos de democracia espanhola, em uma região extremamente zelosa de seu autogoverno, e o tempo é cada vez mais curto, já que o Senado, onde o Partido Popular de Mariano Rajoy tem maioria, marcou para sexta-feira uma sessão que pretende aprovar a intervenção.

Puigdemont poderia discursar no Senado na quinta-feira ou sexta-feira para apresentar seus argumentos contra as medidas.

O governo de Rajoy repete que o objetivo do artigo 155 é "restaurar a legalidade" na Catalunha, depois que o governo de Puigdemont organizou no dia 1º de outubro um referendo ilegal de autodeterminação: os independentistas afirmam que venceram com 90% dos votos, mas com uma taxa de participação de apenas 43%.

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