Bangladesh avalia esterilizações voluntárias nos campos rohingyas

Palongkhali, Bangladesh, 27 Out 2017 (AFP) - O fracasso na distribuição de métodos anticonceptivos entre os refugiados rohingyas levou Bangladesh a estudar uma campanha de esterilizações voluntárias para limitar a explosão demográfica nos campos de refugiados.

Cerca de 900.000 muçulmanos rohingyas vindos de Mianmar se amontoam em campos no sul de Bangladesh. Mais de 600.000 chegaram desde o final de agosto fugindo de Mianmar, onde, segundo a ONU, é implementada uma "limpeza étnica".

Nesses campos superpovoados, Daca teme uma explosão demográfica, o que agravaria ainda mais as precárias condições de vida.

Segundo as autoridades, cerca de 20.000 mulheres estariam grávidas e 600 teriam dado a luz desde que chegaram a Bangladesh.

Pelo pouco sucesso da campanha de sensibilização a métodos anticonceptivos, as autoridades avaliam métodos mais radicais como vasectomias ou ligaduras de trompas, a serem feitos de forma voluntária. Um comitê sanitário ainda precisa dar seu aval.

"Os rohingyas têm muitos filhos, por ignorância", disse à AFP Pintu Kanti Bhattacharjee, diretor de planejamento familiar de Cox's Bazar.

Os rohingyas, marginalizados há décadas em Mianmar, não tinham acesso nesse país aos hospitais ou escolas. E não receberam nenhum tipo de educação sexual.

As famílias rohingyas têm geralmente muitos filhos e os homens às vezes têm várias esposas. Os trabalhadores sociais encontraram famílias com até 19 filhos.

"A esterilização masculina é o melhor meio para controlar a população", acrescenta Bhattacharjee.

Em um centro de ajuda em Palongkhali, os trabalhadores sociais têm muitas dificuldades para sensibilizar mulheres sobre o tema.

Sabura, mãe de sete, levou seu filho de um ano que sofre de desnutrição ao centro social.

"Falei com meu marido sobre as medidas de controle de nascimentos. Ele não está convencido. Lhe deram dois preservativos, mas ele nunca usou", disse à AFP.

"Meu marido disse que precisamos ter mais filhos porque temos terras (em Mianmar). Alimentá-los não é um problema", disse, embora a probabilidade de um retorno ao país é incerta.

Farhana Sultana, uma trabalhadora social, disse que a resposta que tem tido das rohingyas é que o controle natal é um "pecado".

Sultana lembra ter encontrado uma mulher de 65 anos, avó, com um recém-nascido. "Me disse que não podia dizer não ao seu marido".

"A gravidez também é considerada como uma proteção contra os estupros e as agressões. Algumas nos disseram que se uma mulher está grávida ela tem menos possibilidades de que os militares ou agressores as ataquem", disse Nur Khan Liton, diretor de uma ONG de Bangladesh, referindo-se a numerosos relatos de estupros em Mianmar.

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