Veja o que se sabe até agora sobre a suposta conspiração russa nos EUA

Em Washington

  • Drew Angerer/Getty Images/AFP

Conspiração contra os Estados Unidos: essa é a acusação atribuída ao ex-chefe de campanha do presidente Donald Trump no âmbito das investigações sobre a suposta ingerência russa nas eleições de 2016.

Embora não haja dúvidas da participação de Moscou na disputa eleitoral, é incerto se houve conluio entre a equipe de campanha de Trump e os russos. E isso é o que a investigação do procurador especial Robert Mueller quer determinar.

Veja a seguir o que se sabe até agora:

Início do caso

As agências de Inteligência dos Estados Unidos informaram em outubro de 2016, um mês antes da eleição, que a Rússia teria hackeado e divulgado e-mails de assessores da candidata democrata Hillary Clinton a fim de desacreditá-la.

A poucos dias de entregar o poder, Barack Obama anunciou em 29 de dezembro sanções contra Moscou e a expulsão de 35 diplomatas russos.

Em 6 de janeiro, relatórios da Inteligência americana indicaram que o presidente russo, Vladimir Putin, estava por trás da interferência.

Investigações e renúncias

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o FBI (a Polícia Federal americana) e as agências de Inteligência investigam o caso. Em paralelo, comitês da Câmara de Representantes e do Senado adiantam suas investigações.

Estas convergem rapidamente para a equipe de Trump e menos de um mês depois de assumir a Casa Branca, em 13 de fevereiro, seu conselheiro de Segurança, Michael Flynn, teve que renunciar após mentir ao vice-presidente Mike Pence sobre reuniões que manteve com o embaixador russo em Washington, Sergei Kisliak.

Paul Manafort, o ex-chefe de campanha agora indiciado, renunciou antes das eleições. Ex-conselheiro do ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovych, saiu da campanha depois que as autoridades ucranianas revelaram que o lobista teria recebido um pagamento de 12,7 milhões de dólares de um dirigente pró-Rússia.

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Demissão do chefe do FBI

James Comey foi repentinamente demitido do comando do FBI em 9 de maio por Trump, incomodado com a direção que havia tomado uma investigação realizada pela Polícia Federal sobre contatos entre membros da equipe de campanha do republicano e os russos.

Em uma audiência no Senado semanas mais tarde, Comey disse ter sido pressionado pela Casa Branca, que o presidente lhe exigiu "lealdade" e que abandonasse parte da investigação contra Flynn.

Comey também admitiu ter vazado à imprensa, em maio, informações sobre reuniões com o presidente. Ele ainda sugeriu que os encontros teriam sido gravados por Trump, que negou a acusação.

Nomeação do procurador especial

Em 17 de maio, Robert Mueller, que foi diretor do FBI entre 2001 e 2013, foi nomeado procurador especial encarregado da investigação, com poderes ampliados e maior independência.

Foi nomeado pelo número dois do Departamento de Justiça, Rod Rosenstein, depois que o titular da carteira, o procurador-geral Jeff Sessions, se recusou após omitir mencionar reuniões com o embaixador Kisliak.

Rosenstein indicou que a nomeação de Mueller respondia a "circunstâncias particulares" e "de interesse público".

Google, Facebook, Twitter depõem

As duas Câmaras do Congresso, que mantêm suas próprias investigações, convocaram executivos das gigantes Google, Facebook e Twitter a prestar depoimento em 1º de novembro para determinar se as redes sociais foram usadas para influenciar o resultado da eleição.

As três empresas informaram que encontraram em suas plataformas conteúdos financiados por interesses russos para propagar informações falsas e manipular a opinião pública.

Primeiras acusações

Mueller indiciou nesta segunda-feira três membros da equipe de campanha de Trump.

Manafort e seu sócio Richard Gates foram indiciados por 12 acusações, incluindo conspiração contra os Estados Unidos, lavagem de dinheiro, tergiversação e não declaração de contas no exterior.

Ambos se declararam inocentes.

George Papadopoulos, outro assessor da campanha, se declarou culpado de mentir sobre os laços da campanha eleitoral com a Rússia.

Conspiração?

Se existem vínculos ou relações entre membros da campanha de Trump e a Rússia, ou uma conspiração direta para influenciar na eleição presidencial, está longe de ser provado.

"Não há CONLUIO!", tuitou Trump nesta segunda. O magnata imobiliário transformado em presidente denunciou uma "caça às bruxas" destinada a desviar a atenção dos erros de sua adversária democrata.

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