Juiz de Guantánamo ordena detenção de general encarregado de defensa de presos

Washington, 1 Nov 2017 (AFP) - Um juiz militar de Guantánamo condenou nesta quarta-feira (1) um general encarregado da defesa de presos a três semanas de detenção nesta base americana em Cuba, por desacato ao tribunal, informaram fontes coincidentes.

Esta medida pouco comum foi tomada em meio a audiências preliminares ao julgamento de Abdel Rahim Al-Nashiri, considerado o cérebro do atentado contra o navio USS Cole no ano 2000, em que 17 americanos morreram em frente à costa do Iêmen.

Segundo o jornal Miami Herald, o primeiro a divulgar o caso, os três advogados civis de Al-Nashiri tinham anunciado sua intenção de se recusar a defendê-lo por razões éticas e porque suspeitavam que a confidencialidade de suas conversações com o defendido não era respeitada.

O general de brigada John Baker, que dirige a defesa em Guantánamo, autorizou os três advogados a renunciar. Mas o coronel da Força Aérea, Vance Spath, juiz militar encarregado do caso, se opôs às renúncias e ordenou-lhes a comparecer pessoalmente ou por teleconferência.

Como o general Baker se negou a chamar aos advogados, o juiz o declarou culpado de desacato ao tribunal e condenou a 21 dias de confinamento, além do pagamento de uma multa de 1.000 dólares.

Um alto funcionário americano confirmou à AFP a sentença, pedindo para manter sua identidade sob sigilo.

Segundo o advogado David Nevin, que representa o suposto mentor dos atentados de 11 de setembro, Khaled Sheikh Mohammed, esta condenação representará ainda mais um processo interminável, pondo em evidência a impossibilidade de julgar estes prisioneiros por um tribunal militar no lugar de uma jurisdição civil.

"Por as pessoas na prisão porque fazem sem trabalho é exatamente o que se pode esperar com estas comissões militares", declarou à AFP. "Isto valida a teoria de que as comissões militares não são realmente um sistema de Justiça penal".

O Pentágono recusou-se a fazer comentários sobre o tema.

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