Cúpula do movimento separatista catalão comparece à justiça sem Puigdemont

Madri, 2 Nov 2017 (AFP) - A cúpula do movimento independentista catalão que proclamou a secessão comparece nesta quinta-feira à justiça espanhola em Madri acusada de rebelião e sedição, mas sem o seu líder Carles Puigdemont, que permanece na Bélgica.

Os acusados não fizeram declarações em sua chegada à Audiência Nacional, acompanhados por outros políticos independentistas que expressaram apoio aos réus.

Dos 14 membros do governo destituído da Catalunha convocados a depor, cinco não estavam presentes, incluindo Puigdemont, que viajou para a Bélgica e denunciou a ausência de garantias judiciais. Ele já havia anunciado que não compareceria ao tribunal.

Entre os políticos presentes estavam o número dois do governo catalão destituído, Oriol Junqueras, o secretário de Relações Exteriores, Raúl Romeva, e o porta-voz Jordi Turull, o primeiro a falar.

A poucos metros da Audiência Nacional, o Tribunal Supremo da Espanha adiou em uma semana, para 9 de novembro, os depoimentos de seis ex-deputados catalães suspeitos de rebeldia e sedição por seu papel na proclamação da independência da Catalunha

Entre os presentes no Supremo estava a ex-presidente do Parlamento regional, Carme Forcadell.

Os 14 integrantes do governo e seis ex-deputados foram convocados a depor como investigados por rebelião, sedição e desvio de fundos por seu papel na proclamação da república catalã em 27 de outubro, decisão que recebeu uma resposta firme do governo central do primeiro-ministro Mariano Rajoy: a destituição do Executivo catalão e a dissolução do Parlamento.

As acusações incluem delitos graves e podem resultar em penas de até 30 anos de prisão.

"Estas convocações acontecem em um processo sem base jurídica, que busca apenas punir ideias", denunciou Puigdemont em um comunicado.

O político de 54 anos explicou que alguns de seus conselheiros responderiam à convocação como "denúncia da falta de garantias do sistema judicial espanhol e de sua vontade de perseguir ideias políticas".

"Não vai a Madri, propôs um interrogatório aqui na Bélgica", explicou ao canal público catalão TV3 o advogado belga Paul Bekaert.

Seu antecessor no cargo de presidente do governo catalão, Artur Mas, que acompanhou os acusados até os tribunais, afirmou que a ação da justiça espanhola é contraproducente.

"Se vocês olham as pesquisas recentes, perceberão que o sentimento e vontade de independência da Catalunha está crescendo em nosso país, na Catalunha. E, portanto, insisto: nem os tribunais nem a violência são a solução", disse Mas à imprensa.

Dos 20 acusados, o único não independentista, Joan Josep Nuet, acusou Puigdemont de irresponsabilidade e e citou o temor de que todos acabem detidos por culpa dele, como aconteceu com dois líderes de organizações cívicas independentistas, "os Jordis", Jordi Cuixart e Jordi Sánchez.

Nuet, que é deputado, tem que prestar depoimento como integrante da mesa do Parlamento que permitiu a tramitação da declaração de independência.

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