Deputado britânico suspeito de assédio é suspenso do Partido Trabalhista

Londres, 3 Nov 2017 (AFP) - O deputado trabalhista Kelvin Hopkins foi suspenso nesta sexta-feira (3) de seu partido por assédio sexual contra uma jovem militante, em uma onda de denúncias que afeta a classe política britânica e que na quarta-feira (1º) provocou a renúncia do ministro da Defesa.

Em um ambiente de crescente pressão por esses escândalos, a primeira-ministra Theresa May apresentou também nesta sexta, na qualidade de chefe das fileiras dos conservadores britânicos, um "novo código de conduta" aplicável aos membros de seu partido, os Tories, incluindo parlamentares.

Hopkins, de 76 anos, foi suspenso pelas suspeitas sobre seu comportamento com a jovem militante Ava Etemadzadeh, que na época tinha 24 anos, a quem teria enviado mensagens de texto sugestivas. O Partido Trabalhista abriu uma investigação a respeito.

O caso teria ocorrido em 2014 durante um ato do partido, segundo o jornal The Daily Telegraph.

"Me abraçou para se despedir, me agarrou muito de perto e esfregou sua perna contra mim, o que me indignou", disse a militante.

Etemadzadeh explicou que se queixou por este comportamento, sem resultado, o que poderia colocar em uma situação delicada o chefe do partido, Jeremy Corbyn, amigo de Kelvin Hopkins, nomeado no "gabinete na sombra", o governo alternativo da oposição.

A deputada trabalhista Jess Phillips assegurou à BBC Radio 4 que o caso foi "perfeitamente tratado" segundo os procedimentos do partido, mas se declarou "um pouco preocupada com o fato de Kelvin ter ascendido depois, o que me parece uma decisão ruim".

No campo conservador, o escândalo atingiu na quarta-feira o ministro da Defesa, Michael Fallon, de 65 anos.

Nesta sexta, surgiram novas acusações contra ele sobre declarações feitas a uma colega de governo. Aparentemente, Fallon teria respondido Andrea Leadsom, que se queixava de ter as mãos frias: "conheço um lugar quente para metê-las", segundo o jornal The Sun.

Fallon "desmente completamente" essa afirmação, segundo fontes próximas ao ex-ministro, citadas pela agência PA, enquanto o entorno de Leadsom se negou a fazer comentários.

Nesse contexto, o código de conduta apresentado por May, como escreveu em uma carta ao presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, introduz novas medidas para tratar as denúncias, "como a presença de uma pessoa independente no seio de um painel encarregado" de examiná-las, uma linha telefônica "confidencial" e uma direção eletrônica para o recebimento das denúncias.

Entre os conservadores, a primeira vítima desse código de conduta foi o deputado tory Charlie Elphicke, suspenso hoje por "acusações graves", anunciou Julian Smith, encarregado de impor a disciplina do partido à bancada.

Ainda não há detalhes sobre a natureza dessas "acusações".

"Não sei nada sobre acusações e nego ter cometido atos repreensíveis", tuitou Elphicke.

Na próxima segunda, Theresa May recebe os chefes dos partidos políticos para tratar de assédio sexual no Parlamento.

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