EI sobreviverá à perda de Deir Ezzor, afirmam especialistas

Paris, 3 Nov 2017 (AFP) - Perder Deir Ezzor, última cidade controlada pelo Estado Islâmico (EI) em seu "califado", é um golpe duro para o grupo, mas não significará sua derrota definitiva, nem sua erradicação - advertem especialistas.

Anunciada nesta sexta-feira (3), a conquista por parte do Exército sírio de seu último centro urbano levará o EI a se tornar um movimento extremista clandestino, depois de fracassar em seu objetivo de conservar e de governar no Iraque e na Síria um território tão vasto quanto a Itália, povoado por sete milhões de habitantes - consideram os analistas.

O mais provável é que o grupo se transforme em uma guerrilha nas zonas povoadas por muçulmanos sunitas, as quais nem Iraque nem Síria conseguirão controlar totalmente. Ao mesmo tempo, manterá focos insurgentes em outros países e continuará inspirando atentados no mundo inteiro, por meio da propaganda de seu "cibercalifado", como aconteceu em Nova York.

"O Daesh [acrônimo do EI em árabe] está encurralado, perdeu suas duas capitais. E outras ofensivas buscam aniquilar o pseudocalifado e seus supostos soldados", garantiu em audiência no Senado da França, na última terça (31), a ministra francesa dos Exércitos, Florence Parly.

"Mas não acabamos com o terrorismo (...) O atentado de Nova York nos mostra isso", acrescentou.

No Iraque, o EI está sendo derrotado, mas "a vitória militar não está acompanhada de uma visão política sobre a reintegração da população árabe e sunita no jogo político", diz à AFP o pesquisador e professor de Ciência Política Jean-Pierre Filiu.

- 'De organização insurgente a grupo terrorista' -"As perspectivas são piores na Síria", acrescenta.

"Em longo prazo, essa falta de estratégia deixa ao Daesh um importante espaço para se recuperar em um futuro próximo, ao mesmo tempo em que continua estimulando no mundo redes de simpatizantes e militantes inflados pela extrema violência desse combate", acrescentou.

O EI no Iraque foi a ressurgência do grupo Al-Qaeda no Iraque, fundado em 2004, derrotado três anos mais tarde e que passou para a clandestinidade antes de reaparecer sob outra forma.

É o que pode acontecer com o EI, advertem especialistas, que consideram possível a aparição em meses, ou anos, de um "Daesh.2" - talvez mais temível.

"Há poucas dúvidas de que o Estado Islâmico, ou algo similar, sobreviverá à campanha mundial lançada contra ele", aponta o relatório "Muito além do califado", do especialista do Soufan Group Richard Barrett, que dirigiu a seção de Contraterrorismo no MI6 britânico e nas Nações Unidas.

Ele cita como um dos principais perigos o que farão os sobreviventes do contingente de 40 mil combatentes estrangeiros provenientes de 110 países. Depois de integrarem o "califado", eles agora estão presos no Iraque, ou na Síria; de volta a seus países de origem; ou em busca de um novo "território de jihad".

Para Colin P. Clarke, especialista do "think tank" Rand Corporation, os reveses militares "forçam o EI a mudar de estratégias e de táticas".

"O mundo assiste à transição e, de certa forma, à transformação de uma organização dotada de quartéis-generais estáveis em rede terrorista clandestina dispersa na região e no mundo", destacou.

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