Espanha lança ordem de prisão europeia contra presidente catalão destituído

Madri, 3 Nov 2017 (AFP) - A juíza espanhola Carmen Lamela emitiu nesta sexta-feira uma ordem de busca e captura contra o presidente separatista catalão destituído Carles Puigdemont que, de Bruxelas, se declarou disposto a se candidatar às eleições regionais de 21 de dezembro.

A juíza da Audiência Nacional dirigiu a ordem europeia contra Puigdemont e quatro de seus ministros às autoridades judiciais da Bélgica, para onde viajaram "com a única finalidade de eludir as possíveis responsabilidades que poderiam ter na Espanha", segundo o auto.

A Procuradoria federal belga confirmou à AFP o recebimento da ordem, afirmando que "será estudada e, depois, será entregue a um juiz de instrução".

A magistrada espanhola tomou essa decisão após o não comparecimento para depor na quinta-feira junto a outros nove membros do Executivo catalão, todos investigados por rebelião, sedição e malversação por seu papel na proclamação de independência da Catalunha, em 27 de outubro.

Quase ao mesmo tempo, Puigdemont afirmava ao canal belga RTBF: "estou disposto a ser candidato", inclusive fazendo campanha no exterior.

É algo que pode fazer enquanto não houver condenação definitiva contra ele, admitiu o governo espanhol nesta sexta.

Na quinta-feira, Lamela colocou em prisão provisória oito dos nove responsáveis catalães que testemunharam por seu "papel ativo, impulsionando o processo soberanista minuciosamente desenhado".

Em liberdade depois de pagar uma fiança está um nono conselheiro, Santi Vila, que se demitiu antes da proclamação de independência que levou o governo central a assumir o controle da região, destituindo seu Executivo e convocando eleições.

- 'Presos políticos' -As prisões foram repudiadas pelos separatistas na Catalunha, uma região de 7,5 milhões de habitantes cuja população está profundamente dividida ante a secessão.

Assim como na quinta-feira, milhares de pessoas se concentraram em Barcelona em defesa de Puigdemont e pedindo a libertação dos "presos políticos" de seu governo.

"Estou aqui porque não concordo que haja presos políticos", disse Melanie Ortiz, de 27 anos, à AFP em frente à sede do governo catalão, onde gritavam frases como "nem um passo atrás" e "viva a República".

Durante o dia, grupos de manifestantes interromperam brevemente várias estradas da Catalunha e uma linha de trem em protesto pelas prisões.

Duas influentes organizações separatistas, a Assembleia Nacional Catalã e a Òmnium Cultural, cujos líderes estão em prisão provisória desde 16 de outubro, convocaram novas manifestações nos próximos dias, em preparação para uma grande concentração no sábado (11) que esperam ser multitudinária.

Também convidaram a apoiar uma greve geral convocada pela intersindical independentista para quarta-feira (8).

- Impacto econômico -A sete semanas das eleições, as medidas judiciais reabrem o debate nas fileiras separatistas e da esquerda de como participar.

A direita e a esquerda separatistas (PDeCat e ERC), que se apresentaram em coalizão em 2015, pediram para baixar o tom das disputas entre eles e apresentar uma frente comum.

"Pedimos a todos que sejam capazes de entrar em acordo (...), uma candidatura orgulhosa de tudo o que fizemos. Chegamos muito longe", disse a jornalistas Marta Pascal, porta-voz do partido de Puigdemont, o PDeCAT.

"É absolutamente imprescindível alguma estratégia contra a repressão (...). O rival está muito coordenado", considerou Sergi Sabrià, da ERC (esquerda republicana), a Catalunya Radio.

Entretanto, muitas empresas continuam saindo da Catalunha em resposta à grave crise política: 2.066 se foram desde o início de outubro, segundo dados do Colégio de Registradores.

A Catalunha foi a região espanhola que teve pior desempenho em outubro em relação ao emprego, com um aumento de 14.700 desempregados, de acordo com cifras oficiais divulgadas nesta sexta.

"Esses dados mostram claramente que essa situação é de extrema gravidade", advertiu em coletiva o delegado do governo espanhol na região, Enric Millo, falando sobre os impactos negativos no setor turístico, que representa 12% do PIB catalão.

A taxa de ocupação dos hotéis em Barcelona foi de 83% na última semana de outubro, abaixo dos 90% habituais, e 67% dos hoteleiros disseram ter diminuído os preços para compensar, segundo uma pesquisa do governo central.

"Com as eleições de 21 de dezembro, o governo espera alcançar estabilidade, segurança e certeza na Catalunha", disse Íñigo Méndez de Vigo, porta-voz do governo de Mariano Rajoy, que convocou as regionais em virtude do poder de intervir na administração de uma região que desobedece as leis, outorgado pelo Artigo 155 da Constituição.

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