Trump defende pena de morte para autor do atentado de Nova York

Nova York, 3 Nov 2017 (AFP) - O presidente americano Donald Trump pediu nesta quinta-feira (2) a pena de morte para o uzbeque de atropelou pedestres e ciclistas com uma caminhonete em Manhattan, enquanto o grupo extremista Estado Islâmico (EI) chamou o agressor de um de seus "soldados".

O atentado deixou oito mortos: cinco argentinos que celebravam com amigos a formatura no ensino médio há 30 anos, uma belga 31 anos, mãe de duas crianças, e dois americanos - um jovem recém-formado como engenheiro de sistemas e um funcionário da agência Moody's de 32 anos.

Outras 12 pessoas ficaram feridas e algumas estão internadas em estado grave, após o mais grave atentado cometido em Nova York desde que a Al-Qaeda derrubou as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001.

O autor do ataque, Sayfullo Saipov, de 29 anos, foi apresentado a uma juíza na quarta-feira à noite, em uma cadeira de rodas, depois de receber alta do hospital no qual foi operado depois de ser baleado no estômago por um policial durante a detenção.

- O máximo de vítimas -A Promotoria apresentou acusações de terrorismo contra Saipov, que disse aos investigadores que planejava o atentado há um ano, que se inspirou no EI para cometer o ataque no dia do Halloween, que tentou "provocar o máximo de vítimas" e que estava "satisfeito" com seu ato.

Na quinta-feira à noite, o EI afirmou que Saipov era um de seus "soldados", em um texto publicado no número mais recente da revista Al-Naba, vinculada ao grupo jihadista, de acordo com o SITE Intelligence Group, que monitora grupos radicais na internet.

"Um dos soldados do Estado Islâmico atacou um número de cruzados em uma rua da cidade Nova York", afirma o texto.

Na mochila e na caminhonete de Saipov foram encontradas facas e celulares com milhares de imagens de propaganda do EI, assim como 90 vídeos com combatentes do grupo extremista atropelando prisioneiros com um tanque, decapitando ou atirando contra as vítimas.

O uzbeque solicitou que fosse colocada uma bandeira do EI em seu quarto de hospital.

Saipov nunca havia sido investigado pelo FBI, que procurava e localizou na quarta-feira um segundo uzbeque relacionado com o atentado, Mukhammadzoir Kadirov, de 32 anos.

Depois de indicar inicialmente que Saipov poderia ser enviado para a prisão militar de suspeitos de terrorismo de Guantánamo, Cuba, Trump insistiu que ele deve ser condenado à morte.

"Gostaria de enviar o terrorista de NYC para Guantánamo, mas estatisticamente esse processo leva muito mais tempo do que ir para o sistema federal", escreveu Trump no Twitter.

"Também tem algo de apropriado mantê-lo no local do horrendo crime que cometeu. Devemos nos mexer rápido. PENA DE MORTE!", completou o presidente, que chamou Saipov de "animal".

"Não sou alguém que acredita na pena de morte", disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, refletindo a opinião de muitos nova-iorquinos. "Acredito que este indivíduo deve apodrecer na prisão pelo resto de sua vida".

O presidente anunciou ainda que iniciou o processo para acabar com o programa de atribuição de Green Cards ou vistos de residência por loteria, por meio do qual Saipov entrou no país.

O programa, criado em 1990, outorga permissões de residência permanente a cerca de 50.000 solicitantes de todo o mundo a cada ano, e abre as portas para que seus familiares os sigam.

Trump já reduziu a cifra de entrada de refugiados em mais de 50%, endureceu os requisitos para a concessão de vistos e tentou proibir a entrada de turistas de 11 países. Mas não o Uzbequistão, de maioria muçulmana, que fez parte da União Soviética e tem fronteira com o Afeganistão.

- "Temperamento violento" -Saipov chegou aos Estados Unidos em 2010 e, segundo o governador Andrew Cuomo, começou a se radicalizar no país.

O turista britânico Damian Erskine disse à BBC ter dado a Saipov "cinco estrelas no Uber" uma semana antes do ataque. O autor do atentado conduziu durante uma hora e o levou para seu hotel em Nova York, o ajudou com a bagagem e "parecia absolutamente normal", contou.

Segundo o jornal The New York Times, quando chegou a Ohio, Saipov era um contador muçulmano moderado de uma família de classe média e tinha grandes sonhos, mas as coisas não saíram como ele esperava.

A imprensa uzbeque reportou que Saipov foi educado em uma família "moderna", "laica" e que não frequentava a mesquita. Seus pais vendem roupas em um mercado.

Segundo o Times, seu temperamento se tornou violento nos Estados Unidos, ele perdeu empregos e um imame se mostrou preocupado porque interpretava mal o Islã de forma crescente.

Em Ohio trabalhou como caminhoneiro e casou-se com uma uzbeque em 2013, com quem teve três filhos.

A família mudou-se para Paterson, Nova Jersey, para ficar mais perto dos parentes, mas Saipov continuava descontente.

"É chato aqui", dizia a parentes e amigos, e queria retornar ao Uzbequistão, segundo o Times.

A ciclovia do sul de Manhattan onde ocorreu o ataque foi reaberta nesta quinta-feira. Alguns nova-iorquinos depositaram flores em uma bicicleta que estava no local antes do atentado. Uma echarpe azul e branca da seleção de futebol argentina foi amarrada em um sinal de trânsito.

"É um soco na cara. O que vamos fazer?", questionou-se Ted Wright, de 43 anos, a caminho do trabalho. "Vamos vencer sendo positivos. Tem muito mais gente boa do que má no mundo".

bur-lbc/ja/mvv/fp

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