Funerais de vítimas argentinas de atentado em NY misturam dor e ira

Rosario, Argentina, 6 Nov 2017 (AFP) - Familiares dos cinco argentinos mortos em um atentado em Nova York prestaram sua última homenagem nesta segunda-feira em Rosário, em um ambiente de dor pelas perdas e ira por terem sido vítimas de um ato terrorista.

"Estão sentindo muita dor e muita raiva pelo que aconteceu, mas para além disso, estão bem, muito fortes passando por este momento", disse Pablo Farías, ministro de Governo da província de Santa Fé, em coletiva.

Rosário, cidade natal das vítimas, é a terceira da Argentina por sua população (1,5 milhão), 300 quilômetros ao norte de Buenos Aires.

Os velórios foram realizados na mais estrita privacidade, com cercas e policiais fazendo a segurança. As famílias pediram que garantissem a intimidade das cerimônias fúnebres.

Os caixões chegaram ao amanhecer no aeroporto internacional Ezeiza, em Buenos Aires, e foram levados pela estrada em um cortejo fúnebre até Rosário. Familiares e sobreviventes chegaram no mesmo voo.

"Queremos fazer uma prece: que o amor vença o ódio, que a vida se imponha à morte", assinalaram quatro dos cinco sobreviventes do grupo de 10 profissionais e amigos, em um comunicado e uma coletiva no consulado argentino em Nova York.

- Homenagem de Macri -Os 10 argentinos passeavam de bicicleta no momento do ataque. Comemoravam em Manhattan o 30º aniversário de sua formatura na Politécnica, famosa instituição que depende da estatal Universidade de Rosário. O único ferido continua hospitalizado em Nova York.

Em uma consulta, Farías admitiu que "os feitos ocorridos vão desencadear uma série de situações legais" frente um "atentado terrorista", mas sem dar detalhes sobre reivindicações dos parentes.

"Nós argentinos cultivamos a amizade. Eles estavam comemorando 30 anos de amizade e suas famílias ficaram destruídas. Isso tem que nos unir mais e ressaltar o compromisso pela paz", disse nesta segunda-feira o presidente Mauricio Macri, de visita a Nova York.

Macri fez uma homenagem ao colocar um ramo de rosas no santuário espontâneo de flores e mensagens feito em uma ciclovia do bairro de Tribeca, local do ataque.

"Foi o amor que nos trouxe aqui e é o amor que continuará nos unindo", declarou o sobrevivente Guillermo Banchini.

Os argentinos, em sua maioria arquitetos, foram atropelados por uma caminhonete dirigida pelo uzbeque Sayfullo Saipov, detido depois.

O ferido é Martín Marro, de 48 anos. Os sobreviventes são Iván Brajkovic, Ariel Benvenuto, Juan Pablo Trevisan e Banchini, com idades de 48 a 49 anos.

O ataque matou Ariel Erlij (48), Alejandro Pagnucco (49), Hernán Ferruchi (48), Hernan Mendoza (48) e Diego Angelini (48).

- Pesadelo -"Não há forma de entender que um sonho se transforme em seu pior pesadelo. Sobrevivemos e vimos a partida de nossos amigos. No que se transformou o mundo? Como alguém pode pensar, planejar e executar um atentado semelhante?" - questionou Banchini.

No ataque também morreram uma belga de 31 anos e dois americanos. Doze pessoas ficaram feridas.

Banchini destacou ao "jornalista americano que escreveu um texto sobre nós, a nossa amizade e o profundo significado que a amizade tem para os argentinos". Ele se referia a Brian Winter, que já morou em Buenos Aires, e o artigo escrito para um portal americano.

Cerca de 200 argentinos participaram no domingo da Maratona de Nova York usando a camisa da seleção de futebol e uma fita preta no braço.

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