TOPSHOTS Comida para peixe e diplomacia do golfe: cinco momentos de Trump no Japão

Tóquio, 6 Nov 2017 (AFP) - O mundo pode estar enfrentando sua crise nuclear mais perigosa desde o fim da Guerra Fria, mas a viagem do presidente americano, Donald Trump, será lembrada tanto pelos momentos curiosos quanto pela diplomacia de alto nível.

Confira abaixo cinco desses momentos:

- Impaciência -O cenário era o idílico entorno do Palácio Akasaka, em Tóquio. Nenhum som era ouvido, salvo o canto dos passarinhos e o barulho dos helicópteros do Serviço Secreto americano.

Como uma distração relaxante à diplomacia de alto nível, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, sugeriu alimentar as apreciadas carpas koi no lago imperial.

De início, os dois líderes usaram uma colher para espalhar a ração no lago, mas, aparentemente, o tempo das carpas era lento demais para um hiperativo presidente americano.

Com uma agenda apertada de compromissos, Trump decidiu acelerar as coisas e jogou no lago o restante da ração que havia na caixa.

A foto agitou o Twitter. Vários usuários criticaram o comandante em chefe, apontando que peixes não podem absorver uma grande quantidade de comida de uma vez.

Tanto Abe quanto o secretário de Estado, Rex Tillerson, pareceram rir da gracinha de Trump. Este, na verdade, seguia o gesto do anfitrião, que também sacudiu no reservatório os restos de ração de sua caixa.

- Golfe: quem venceu? -Esqueçam o déficit comercial. A questão que importa é: qual foi o placar na partida de golfe entre os dois líderes?

Trump e Abe não demoraram até começar a aproveitar seu passatempo favorito e, apenas poucas horas depois de chegar a Tóquio, Trump dava suas primeiras tacadas.

Depois, no avião, brincou com os repórteres que seria "fake news" se ele reivindicasse ter superado seu parceiro profissional, o número quatro no ranking mundial, Hideki Matsuyama.

No passado, Abe se esforçou para mostrar que seus talentos no golfe não se comparavam aos de Trump, mas parece que ele tem praticado o esporte e a partida de domingo compensou.

"O jogo foi uma competição cabeça a cabeça, na minha opinião. Qual foi a realidade? Espero que o sr. Trump dê sua avaliação", disse Abe, em entrevista coletiva após a partida.

Trump não comentou o assunto, mas um porta-voz da Casa Branca disse achar que eles não teriam marcado pontos.

- Conquista pelo estômago -O caminho para o coração de Donald Trump parece ser pelo estômago e, sabendo disso, o cerimonial japonês parece ter dedicado bastante tempo para elaborar o cardápio das refeições oferecidas ao presidente dos EUA.

Sua primeira refeição foi, certamente, uma "comfort food", aquela comidinha caseira: um robusto hambúrguer feito com carne americana - talvez como uma deixa para Abe discutir política comercial.

Nenhum detalhe foi deixado de lado, e uma grande bisnaga de ketchup estava a mão para Trump, conhecido por encharcar a comida com o molho.

Já à noite, o jantar seguiu mais o estilo japonês, com bife servido com vieiras (uma espécie de molusco) das águas de Hokkaido, sobre as quais mísseis norte-coreanos voaram recentemente.

- Promoção no grito -Trump estava visivelmente animado com sua primeira parada na viagem, falando para um eufórico grupo de funcionários americanos na Base Aérea Yokota.

Ele vestia uma jaqueta estilo "bomber" e disse que "não havia nenhum lugar" onde ele preferisse estar que não com os homens que servem a seu país.

Em um dado momento, gritando, um dos militares presentes fez uma observação inaudível que levou o comandante em chefe a uma pausa.

"Qual sua patente?", gritou.

Ao ouvir a resposta, Trump gritou mais uma vez - "vamos elevá-la" -, sendo ovacionado em seguida.

Não se sabe se, de fato, a promoção aconteceu.

- A meia curvatura ao imperador -Um dos potenciais desastres em uma viagem rica em protocolos e armadilhas diplomáticas era o encontro com o imperador.

Todos os olhares se voltaram para acompanhar como Trump cumprimentaria o pequeno imperador Akihito.

Barack Obama ofendeu os conservadores americanos, ao fazer uma reverência de quase 90º, e deflagrou acusações de submissão ao filho do imperador dos tempos da Segunda Guerra Mundial, Hirohito.

Trump escolheu o meio-termo, cumprimentando o imperador com a cabeça, mas sem se abaixar muito.

O magnata nova-iorquino pareceu mais à vontade com o protocolo da partida de golfe, como mostram as inúmeras fotos dele e de seu "bom amigo" Abe se cumprimentando com o informal "toca aqui".

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