Derrotados por Trump, democratas buscam nova figura para enfrentá-lo

Washington, 7 Nov 2017 (AFP) - Um ano depois da derrota de Hillary Clinton para Donald Trump, os democratas americanos têm dificuldades para recuperar as forças visando as próximas disputas eleitorais e sem uma figura clara que possa desafiar o presidente republicano em 2020.

Os primeiros 10 meses do mandato de Donald Trump não permitiram aos democratas recuperar o protagonismo. São minoritários em ambas as Câmaras do Congresso, onde têm certa capacidade de obstrução.

Mas alguns legisladores do partido de Barack Obama e Bill Clinton veem o copo meio cheio. O Partido Democrata "está mais unido e mais energizado hoje do que há um ano", declarou à AFP o senador Chris Coons, em alusão à brecha que há pouco tempo separava os partidários de Hillary Clinton e Bernie Sanders.

A 1.100 dias da próxima eleição presidencial, "não há herdeiro nem personalidade dominante na disputa" para a candidatura democrata, sustenta o professor de Ciência Política Chris Galdiere, do Saint Anselm College, em New Hampshire.

Uma antecipação da batalha acontecerá a partir do ano que vem, durante as legislativas de meio de mandato, em novembro de 2018. "O que acontecer em 2018 será importante para o que ocorrerá em 2020", diz Chris Van Hollen, senador democrata.

Veja a seguir uma lista de possíveis candidatos democratas para a Casa Branca em 2020, levando em conta que Hillary Clinton declarou que não se apresentará.

- Os veteranos -O senador independente e democrata socialista de Vermont, Bernie Sanders, não descartou uma nova candidatura. Participa de comícios, debates televisionados contra os republicanos e mantém o controle de uma organização de militantes criada durante sua campanha. Mas na próxima eleição terá 79 anos.

Sua colega, a senadora democrata de Massachusetts Elizabeth Warren, de 68 anos, é popular entre a esquerda do partido por seu combate permanente contra Wall Street. Pode se nutrir do mesmo eleitorado de Sanders.

A candidatura do ex-vice-presidente Joe Biden, que não se apresentou em 2016, é um mistério: "decidi que não decidirei não me candidatar". Ele terá 77 anos em 2020.

- Os novos -Cory Booker, senador por Nova Jersey, é um jovem (48 anos) orador prodigioso, que cativa seus apoiadores, além de ser o único senador democrata negro na Câmara Alta do Congresso.

A californiana Kamala Harris, de 53 anos, acaba de chegar ao Senado com a aura de um carisma obtido em seu estado como defensora dos direitos civis e dos imigrantes.

Outros democratas possíveis: os senadores Chris Murphy (Connecticut), Kirsten Gillibrand (Nova York) e Sherrod Brown, um populista de esquerda de 64 anos; o prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, e o governador de Montana, Steve Bullock.

- As celebridades -Contra Trump, por que não Oprah Winfrey? A estrela das estrelas nos Estados Unidos possui o próprio império midiático e uma grande conta bancária.

O bilionário do esporte e do entretenimento Mark Cuban e o grande doador ecologista Tom Steyer também poderiam enfrentar Trump.

- Os desconhecidos -Um legislador democrata se declarou pré-candidato para as primárias, o primeiro e único até o momento: John Delaney, nascido em um meio modesto e convertido em milionário.

Outros congressistas mencionados: Seth Moulton, ex-militar formado em Harvard, e Tim Ryan, que pretende representar as classes populares do Meio-Oeste.

Segundo Matt Paul, consultor democrata que trabalhou para Hillary Clinton em 2016, os americanos poderiam se ver tentados por um candidato completamente novo.

"Haverá pressão e interesse por um novo rosto, uma nova história, alguém que energize e construa novamente a base eleitoral", afirma.

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