Nas artes ou no esporte, Emirados e Catar disputam influência planetária

Dubai, 7 Nov 2017 (AFP) - Com o Louvre de Abu Dhabi, museu de renome universal e joia arquitetônica, os Emirados Árabes Unidos (EAU) somam um êxito que transcende o âmbito cultural e dá um duro golpe no Catar, o "irmão inimigo" que optou pelo esporte como meio de influência planetária.

Neste combate sem piedade por uma maior notoriedade mundial, o dinheiro do petróleo e do gás -mesmo que menos abundante hoje em dia- alimenta a competição em projetos culturais, midiáticos e esportivos, fundamentos do conceito de "soft power" (poder suave, em inglês).

Há uma luta pela "hegemonia no 'soft power' entre as monarquias do Golfo, uma competição de investimentos, turismo e marca", explica Andreas Krieg, analista do King's College de Londres.

Dubai, capital econômica dos EAU, foi pioneira nesta disputa por relevância mundial, abrindo vantagem na diversificação de sua marca em relação a Abu Dhabi (capital política) e Doha (Capital do Catar) graças às bem sucedidas apostas em serviços, negócios e turismo.

Os EAU, com território 100 vezes menor que o do Brasil, tem uma população de 10 milhões de habitantes, e somente 12% deles são originários de lá. O país, sexto maior produtor de petróleo do mundo, tem reservas de 98 bilhões de barris.

O Catar -mais de 700 vezes menor que o Brasil- conta com 2,6 milhões de habitantes (13% nacionais). É o líder do ranking de exportação de gás natural líquido e tem a terceira maior reserva de gás do mundo, atrás apenas de Irã e Rússia.

EAU e Catar levam adiante uma estratégia de afirmação regional, com investimentos nos bilhões de dólares, e uma diplomacia que busca visibilidade e projeção de uma imagem vitoriosa.

Foi com isso em mente que, em 2010, o Catar garantiu o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022. Ou em 2013, quando a Exposição Universal de 2020 confirmou que será realizada em Dubai.

- PSG x Manchester City -No cenário esportivo, o Catar possui desde 2011 o clube francês Paris Saint-Germain, o PSG, e adquiriu este ano dois dos melhores jogadores do mundo, o brasileiro Neymar e o francês Kylian Mbappé, por 400 milhões de euros.

A beIN Sports, também propriedade do Catar, se tornou uma das principais emissoras esportivas do mundo, com direitos esportivos sobre os principais campeonatos de futebol da Europa.

Vinte anos antes, o Catar lançou a Al Jazeera, meio de comunicação que adquiriu grande influência na península árabe, mas que é acusado pelos EAU de promover o "islã político" e de propagar visões "hostis" sobre as demais monarquias do Golfo.

Os EAU também são muito ativos no esporte. Abu Dhabi faz parte do calendário da Fórmula 1 desde 2009 e o xeque Mansur Al Nahyan, membro da família real, é o dono do clube inglês Manchester City desde 2008.

A companhia aérea Emirates, de Dubai, deu seu nome ao estádio de Londres onde sedia seus jogos o tradicional Arsenal, enquanto a Etihad, de Abu Dhabi, tem os 'naming rights' do Manchester City.

A Emirates é também a principal patrocinadora de Arsenal, Real Madrid e Hamburgo.

- 'Rivalidade entre príncipes' -A histórica rivalidade entre EAU e Catar ganhou contornos dramáticos em junho, quando vários países do Golfo, incluindo a influente Arábia Saudita, além do Egito, romperam relações, decretaram um embargo contra Doha e exigiram o fechamento da Al Jazeera, entre acusações de apoio a grupos extremistas.

Uma guerra midiática se seguiu, em particular quando o ministro do Estado para Relações Exteriores dos EAU, Anuar Gargash, questionou implicitamente a atribuição da sede da Copa do Mundo de 2022 ao Catar.

A realização de tal evento deveria "incluir uma rejeição à política de apoio ao terrorismo", afirmou o ministro, provocando uma rápida resposta do Catar, que denunciou "a inveja mesquinha" dos Emirados.

A atribuição da Copa do Mundo-2022 ao Catar esteve acompanhada por acusações de corrupção, desmentidas por Doha.

A Fifa informou ter aberto em 13 de outubro uma investigação preliminar contra Nasser Al Khelaifi, dono da beIN Media e do PSG, sobre as condições de compra dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030.

Enquanto isso, em Abu Dhabi, as autoridades continuam pensando grande. Na ilha de Saadiyat, ao lado do Louvre concebido pelo francês Jean Nouvel, serão erguidos outros dois museus, cujas construções foram encarregadas aos famosos arquitetos Frank Gehry e Norman Foster.

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