Patrulha de Fronteira defende muro de Trump

Costa Mesa, Estados Unidos, 7 Nov 2017 (AFP) - Do descampado onde se encontram os oito gigantescos protótipos para o muro fronteiriço prometido pelo presidente americano, Donald Trump, é possível ver o México.

As estruturas são o primeiro passo para um dos principais compromissos de campanha do republicano, que chegou ao poder com um forte discurso anti-imigração.

Agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, que acompanharam a AFP em uma visita aos protótipos, explicaram por que é necessário substituir as atuais barreiras fronteiriças sem cair na política.

Filho de mexicanos, Eduardo Olmos garante que as divisões "funcionaram bastante bem" desde que foram instaladas pela primeira vez na década de 1990.

"Era uma zona difícil para patrulhar. Sem a infraestrutura, não tínhamos como controlar a área", afirmou.

"Conseguimos mudar a zona drasticamente", completou.

"Em 1986, o setor San Diego registrou aproximadamente 628.000 detenções na fronteira. Nos últimos cinco anos, o mais alto que tivemos foi o ano fiscal 2016, quando terminamos com 31.000. É uma diferença drástica", avaliou.

Mas, é mesmo necessário construir um novo muro?

"O que podemos ver está obsoleto", respondeu a agente Tekae Michael, que tem uma década de serviços prestados.

Neste setor, que tem 41 quilômetros de fronteira com o México, há duas barreiras: uma, primária, concebida nos anos 1990 para evitar a passagem de veículos, mas que é de "uns" dois metros "facilmente escalável", segundo Michael; e outra, para evitar o fluxo de pessoas, mais alta, mas feita de uma espécie de placa metálica que pode ser atravessada (registram-se cerca de 500 cortes ao ano).

Ambas parecem minúsculas ao lado dos protótipos - quatro feitos de concreto, e o restante, com outros materiais - de mais de nove metros de altura e de paredes lisas para evitar que sejam escaláveis.

Além disso, têm uma profundidade de dois metros no solo para evitar túneis.

Esses oito enormes protótipos foram construídos por seis companhias, nenhuma baseada na Califórnia, e cada um custou entre US$ 300 mil a US$ 350 mil.

Atualmente, transcorre um período de 30 dias para que o concreto se acomode e, então, seja possível iniciar uma fase de testes. O objetivo é medir suas capacidades para evitar que sejam escalados, penetrados, ou atravessados por um túnel subterrâneo.

Essa etapa deve começar, provavelmente, depois das festas natalinas. O governo poderá optar por um, ou por vários protótipos para diferentes zonas, ou até mesmo por nenhum, se as exigências não forem atendidas.

Servindo como uma barreira secundária, o muro será reforçado com câmeras, iluminação e sensores de apoio à patrulha, relataram os agentes.

E essa primeira grade enferrujada que divide os dois países será substituída no próximo ano, disse Olmos.

México e Estados Unidos têm uma longa fronteira de 3.000 quilômetros, dos quais um terço está separado por um muro.

O governo Trump propôs dispor, no orçamento de 2018, de US$ 1,8 bilhão para iniciar a construção dessa estrutura, cujo custo pode chegar a US$ 20 bilhões.

Trump garante que o México pagará pelo muro, mas seu vizinho insiste em que não o fará.

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