Sem rival de peso, prefeito de Nova York deve se reeleger

Nova York, 7 Nov 2017 (AFP) - Embora não seja uma figura que desperte paixões entre os nova-iorquinos, o prefeito anti-Trump Bill de Blasio tem todas as chances de ser reeleito nesta terça-feira por quatro anos.

Com 8,5 milhões de habitantes, um orçamento anual de 85 bilhões de dólares e 295.000 funcionários sob seu comando, se diz que o prefeito da maior cidade dos Estados Unidos tem "o segundo posto mais difícil do país", depois do presidente.

No reduto anti-Trump que é Nova York, alguns esperavam a candidatura de Hillary Clinton, que apesar de sua derrota para o magnata imobiliário teve 80% dos votos de Nova York na eleição presidencial. O do procurador federal Preet Bharara, demitido por Trump em março.

No entanto, nenhum oponente de peso quis enfrentar De Blasio, de 56 anos, primeiro prefeito democrata de Nova York desde 1993, favorito para dirigir por mais quatro anos a capital financeira dos EUA, longe de seus principais concorrentes: a legisladora estatal Nicole Malliotakis, de 36 anos, republicana, e o ex-policial Bo Dietl, que tem um reconhecido talento cômico mas um programa de governo quase inexistente.

De acordo com a última pesquisa da Quinnipiac University, publicada no começo de outubro, 61% dos votos serão de De Blasio, contra 17% para Malliotakis e 8% para Dietl. A diferença é difícil de ser revertida, sobretudo depois do atentado de Manhattan na terça-feira passada, que colocou o prefeito diante das câmeras de todo o mundo.

Os observadores concordam, contudo, que este ítalo-americano de 1,97 metros de altura, não tem o carisma de seu antecessor, o empresário bilionário Michael Bloomberg, que ostenta o recorde de 12 anos à frente da cidade.

- Distante de Wall Street -"De Blasio não é ruim, geralmente faz o que tem que ser feito", avalia Kenneth P. Jackson, especialista em história de Nova York na Universidade de Columbia. No entanto, ao contrário de Bloomberg, De Blasio "não conseguiu convencer a elite financeira da cidade de que levava seus interesses a sério".

De Blasio está realmente à esquerda, mais perto de um crítico de Wall Street como Bernie Sanders do que de Hillary Clinton, embora ele tenha dirigido sua campanha ao Senado em 2000.

Em uma cidade onde até os cachorros vestem casacos de caxemira, ele se martiriza pelo aumento número de moradores de rua e defende "um imposto para os milionários", sobretudo para modernizar um metrô cada vez mais arcaico.

"Antes da minha chegada à prefeitura, foram tomadas muitas medidas para ajudar a um pequeno número de nova-iorquinos, mais do que para responder às necessidades da maioria", disse no sábado em uma entrevista.

Seus críticos reconhecem que o prefeito manteve sua principal promessa de 2013: abrir as escolas públicas da cidade para crianças a partir dos três anos, uma pequena revolução nos Estados Unidos, onde isso não é possível até os cinco. E, contrariando as previsões, conseguiu baixar a criminalidade como seus antecessores Bloomberg e Rudy Giuliani, com somente 242 assassinatos este ano, um mínimo recorde.

Malliotakis e seus oponentes denunciam uma gestão cara, que ameaça o equilíbrio financeiro da cidade, com a contratação de milhares de funcionários municipais adicionais.

- Rivais votaram em Trump -As críticas indicam que De Blasio não é o preferido dos eleitores brancos, que correspondem a 33% dos nova-iorquinos (contra 28% de hispânicos, 23% de negros e 12,5% de asiáticos).

"Em geral voto nos democratas, mas desta vez votarei em Malliotakis", explica Charlie Kasper, morador do Brooklyn que trabalha como porteiro em Manhattan. "Ela pode não ganhar, mas é um voto de protesto".

Como muitos, Kasper antecipa uma votação baixa na terça-feira, quando os centros de votação funcionarão das 06H00 às 21H00 do horário local.

Kasper reconhece que De Blasio tem uma vantagem considerável: seus dois principais adversários votaram em Trump, enquanto ele se tornou o defensor de todos os nova-iorquinos que se sentem ameaçados pela Casa Branca, sobretudo os imigrantes.

Sua forte defesa dos imigrantes "é ainda muito popular em Nova York", ressaltou Kenneth Jackson.

Além da prefeitura de Nova York, outros dois postos de governadores estarão em jogo nesta terça-feira nos Estados Unidos.

Em Nova Jersey, o democrata Phil Murphy deverá suceder o republicano Chris Christie, um aliado de Trump com uma impopularidade recorde. Já em Virgínia, o republicano Ed Gillespie e o vice-governador democrata Ralph Northam estão praticamente empatados.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos