Tiroteio no Texas: Força Aérea não informou FBI da condenação do atirador

Sutherland Springs, Estados Unidos, 7 Nov 2017 (AFP) - Processado por violência doméstica, Devin Patrick Kelley não poderia ter comprado armas, mas a Força Aérea americana não informou ao FBI da condenação do atirador do Texas, que deixou 26 mortos em uma igreja no domingo (5) - de acordo com balanço oficial.

"O crime de violência conjugal de Kelley não foi inscrito no registro do Centro Nacional de Informação Criminal (NCIC, na sigla em inglês)", declarou a Força Aérea americana na segunda-feira à noite, acrescentando que foi aberta uma investigação sobre o caso.

Julgado em uma Corte Marcial em 2012 por violência contra a mulher e contra o enteado, o ex-cabo foi condenado a 12 meses de detenção até ser rebaixado à patente de soldado raso e expulso da corporação.

Em geral, o Pentágono deve comunicar ao FBI sobre qualquer condenação em Corte Marcial, para sua inclusão nos registros do NCIC.

Segundo a lei federal, o ex-cabo que se tornou agente de segurança não tinha, portanto, direito à compra, ou à posse de arma de fogo, lembrou a Força Aérea.

No domingo, armado de um fuzil semiautomático AR-15, ele escolheu a Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs, uma pequena comunidade texana ao leste de San Antonio, para um dos mais sangrentos tiroteios da história recente dos Estados Unidos.

"Havia uma disputa nessa família", disse na segunda Freeman Martin, da Polícia do Texas, explicando que a madrasta de Devin Patrick Kelley frequentava essa igreja.

Segundo a rede CNN, que cita vários amigos da família, a avó da mulher do atirador foi morta na igreja.

- 'Sangue por todos os lados' -O ataque começou por volta das 11h20, durante o culto de domingo, quando ele entrou na igreja todo vestido de preto, protegido por um colete à prova de balas e armado com uma AR-15. Segundo as forças da ordem texanas, no local do crime, foram encontrados 15 carregadores com capacidade de 30 balas cada.

Kelley era conhecido por suas posições ardorosamente antirreligiosas e ateias.

Também armado com um fuzil AR-15, um morador enfrentou o atirador antes que ele conseguisse fugir a bordo de um SUV branco, deixando sua arma no banco de trás.

A isso, seguiu-se uma perseguição de cerca de dez minutos com o morador em questão, identificado como Stephen Willeford, que pediu ao motorista de uma picape que fosse com ele à caça do atirador.

Já ferido no braço e no peito, Devin Patrick Kelley telefonou para o pai para lhe dizer que "não iria escapar". Depois de sofrer um acidente com o carro, ele voltou a arma contra si, no que parece se configurar como um caso de suicídio.

David Casillas, de 55 anos, chegou à igreja pouco depois do ocorrido.

"Ainda havia fiéis saindo da igreja, com sangue por todos os lados", contou à AFP.

"Todo mundo estava chocado. Ninguém falava nada. Eles balançavam a cabeça, tentando entender o que aconteceu", completou.

- 'Não é uma questão de armas' -As 26 vítimas fatais incluem oito membros de uma mesma família, entre eles, uma mãe grávida de cinco meses e seus três filhos. Outras 20 pessoas ficaram feridas. Dez ainda estavam internadas em estado grave, ou crítico, na segunda-feira à noite.

A filha do pastor da igreja, de 14 anos, também morreu no ataque.

"Uma criança especial, absolutamente magnífica", declarou o pastor, Frank Pomeroy, lutando para conter sua emoção.

O pior episódio desse tipo no Texas, a tragédia reavivou apenas timidamente o eterno debate americano sobre a regulação da circulação e da posse de armas de fogo no país. Debate este que o presidente Donald Trump fez questão de minimizar.

"A saúde mental é que é o problema aqui (...). Não é uma questão ligada às armas", declarou por ocasião de uma entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em Tóquio, denunciando um tiroteio "terrível" e um "ato de maldade".

Devin Patrick Kelley vivia na periferia de San Antonio, uma das maiores cidades do Texas.

Todos os anos, mais de 33 mil pessoas morrem nos Estados Unidos, vítimas das armas de fogo, de acordo com um estudo recente. Desse total, 22.000 são casos de suicídios.

O debate sobre a regulamentação das armas é relançado a cada tragédia, sem que a legislação seja modificada. Parte da explicação está na influência e na pressão exercidas pela Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o poderoso lobby das armas nos EUA.

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