TOPSHOTS Cinco mitos sobre as mortes por armas de fogo nos Estados Unidos

Washington, 7 Nov 2017 (AFP) - A cada dia, dezenas de pessoas morrem baleadas nos Estados Unidos, mas se fala somente dos massacres que monopolizam as manchetes, como o executado no domingo no Texas. No entanto, este paradoxo alimenta diversos mitos:

1) O número de mortos por armas de fogo alcança um nível recorde.

Isso é inexato, embora o FBI (a Polícia Federal americana) constate um aumento dos assassinatos em 2015 e 2016.

"Apesar dos tiroteios com muitas vítimas terem aumentado de forma espetacular nos Estados Unidos, a taxa global de homicídios por armas de fogo sofreu uma queda e está na metade do nível de 25 anos atrás", explicou à AFP Gregg Carter, especialista da Universidade Bryant, de Rhode Island.

"Essa diminuição ocorreu apesar de um relaxamento importante da legislação sobre armas a nível estadual. Por exemplo, poucos estados permitiam que um cidadão comum portasse uma arma escondida antes de 1990, enquanto hoje quase todos permitem", declarou.

Nos Estados Unidos, geralmente considera-se que um incidente se converteu em um "tiroteio com muitas vítimas" ("mass shooting") quando ocorrem ao menos quatro mortes, excluindo a do autor dos disparos.

Segundo estatísticas da organização Gun Violence Archive, os Estados Unidos registram uma média de um tiroteio com muitas vítimas por dia.

2) As vítimas são escolhidas ao acaso.

A enorme cobertura midiática dos massacres dá a falsa impressão de que as vítimas dos ataques a tiros não tinham nenhum vínculo com os atiradores.

Essa sensação se vê reforçada pela repetição de tragédias em locais públicos: um show ao ar livre em Las Vegas, uma boate na Flórida, um campus universitário na Virgínia, uma escola em Connecticut.

Estudos mostram que a maior parte dos ataques a tiros é dirigida contra uma pessoa ou instituição com a qual o autor tinha um problema particular.

Mais de dois terços desses casos ocorrem em casa e as vítimas frequentemente são próximas ao assassino. Segundo a organização Everytown for Gun Safety, 50 mulheres morrem a cada mês nos Estados Unidos pelas mãos de seus parceiros.

3) A grande maioria das mortes ocorre em grandes ataques a tiros.

É falso na realidade cotidiana da violência por armas de fogo. Esta se divide em uma multidão de acontecimentos não informados pelos grandes meios de comunicação.

Por exemplo, em Fresno, na Califórnia, um homem chamado Manuel García matou no domingo a sua ex-esposa e o companheiro dela na saída da missa. Depois se matou.

Um caso assim seria manchete da imprensa na França, Reino Unido, Japão, ou Austrália. Mas não nos Estados Unidos, onde a taxa de homicídios por arma de fogo é 25 vezes mais alta do que nos outros países desenvolvidos.

A maioria dos 12.000 homicídios por arma de fogo nos Estados Unidos não entra na categoria de grandes ataques a tiros.

4) Os assassinos são majoritariamente pessoas com problemas mentais.

A opinião pública americana costuma ficar horrorizada com o comportamento frio de atiradores que têm algum problema mental, como Adam Lanza, que matou sua mãe e depois 20 crianças na escola Sandy Hook; ou James Holmes, que abriu fogo contra os espectadores de um cinema no Colorado.

No entanto, os especialistas acreditam que a maioria das pessoas com problemas mentais não é violenta.

Um estudo feito em Baltimore, St. Louis e Los Angeles concluiu que os casos de violência atribuídos a problemas mentais graves são apenas 4% dos registrados. Em outras palavras, a grande maioria dos ataques a tiros se deve a outros fatores, como raiva, ciúme e ódio.

Mais da metade dos autores de ataques a tiros com muitas vítimas tinham antecedentes por violência conjugal.

5) A maioria dos americanos quer proibir as armas.

Esta ideia amplamente vista no exterior é falsa. Inclusive os mais intensos militantes contra as armas não querem modificar a sacrossanta Segunda Emenda à Constituição sobre sua posse e nenhuma figura política americana fala em confiscar as armas.

O único debate que anima o país se dá sobre questões secundárias, como tornar ilegais os dispositivos que permitem disparar rajadas e a generalização de controles de antecedentes judiciais e psiquiátricos antes da aquisição de armas.

"As leis nacionais sobre as armas não mudarão, exceto se os democratas conquistarem as duas Câmaras do Congresso, além da Presidência. E não há nenhuma possibilidade de que isso aconteça antes de 2020. Os republicanos não vão endurecer as leis apesar do desejo contrário de uma maioria de americanos", destaca o professor Carter.

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