Trump chega à Coreia do Sul para "resolver tudo"

Seul, 7 Nov 2017 (AFP) - Donald Trump chegou nesta terça-feira à Coreia do Sul, na segunda etapa de sua viagem asiática, com a promessa de "resolver tudo", apesar das divergências com Seul a respeito da questão nuclear norte-coreana.

O avião presidencial Air Force One pousou às 12H30 (1H30 de Brasília) na base aérea de Osan, na região de Seul, onde o presidente e sua esposa esposa Melania foram recebidos pela ministra sul-coreana das Relações Exteriores, Kang Kyung-Wha.

Nos últimos meses, a tensão aumentou a respeito do programa nuclear de Pyongyang e o presidente americano trocou insultos e ameaças, inclusive de guerra, com o líder norte-coreano Kim Jong-Un, um conflito que afetaria os 10 milhões de habitantes da Coreia do Sul.

"Preparando-me para viajar à Coreia do Sul e encontrar com o presidente Moon, um cavalheiro distinto", escreveu Trump no Twitter.

"Vamos resolver tudo!", completou.

O tom representa um forte contraste com as declarações anteriores, nas quais chamou a estratégia de Moon Jae-In como um "apaziguamento".

O comentário foi mal recebido no palácio presidencial de Seul porque assimilava implicitamente Moon a Neville Chamberlain, idealizador da política britânica de apaziguamento com Adolf Hitler no fim dos anos 1930.

- 'No final, tudo vai dar certo' -Trump desembarcou na Coreia do Sul após uma visita de três dias ao Japão, onde recebeu o apoio integral do primeiro-ministro Shinzo Abe para sua estratégia com a Coreia do Norte de manter "todas as opções sobre a mesa".

A relação de Trump com o presidente sul-coreano Moon Jae-In, no enanto, é consideravelmente mais fria, o que aumenta as preocupações de que uma aliança de várias décadas poderia passar à segunda linha, privilegiando o vínculo com o Japão.

Ao mesmo tempo, Moon, cujo país está ao alcance da artilharia na Coreia do Norte, pediu que nenhuma ação militar aconteça na península sem o consentimento de Seul.

Apesar do clima tenso, a Coreia do Sul estendeu o tapete vermelho para receber Trump, à medida que busca mensagens de que a aliança entre os dois países permanece forte.

"No final, tudo vai dar certo" a respeito da Coreia do Norte, prometeu Trump em Camp Humphreyrs, base dos 28.500 militares americanos presentes na Coreia do Sul, 90 km ao sul da capital Seul.

Moon - cujos pais foram retirados do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953) por um navio americano - celebrou a relação histórica de seu país com Washington.

"Dizem que conhecemos um verdadeiro amigo nos momentos de necessidade", afirmou a Trump.

Washington "é um verdadeiro amigo, que esteve conosco e derramou seu sangue ao nosso lado quando precisamos", acrescentou.

Apesar das palavras, a população sul-coreana se mostra dividida a respeito de Donald Trump: nas ruas aconteceram manifestações contra e a favor do presidente americano.

"Suas 'bombas retóricas' dizem tudo", afirma um editorial publicado pelo jornal The Korea Times.

"Por mais que os coreanos permaneçam tranquilos ante a guerra de palavras entre Trump e Kim, nós apreciamos nossas vidas, assim como os americanos, e a perspectiva de uma guerra nos assusta", completa.

Depois de visitar Camp Humphreys, Trump tinha uma reunião programada com Moon na Casa Azul, sede da presidência, e posteriormente um jantar de Estado com música ao vivo, que incluirá artistas tradicionais e intérpretes pop.

Na quarta-feira, ele discursará no Parlamento, mas não foi incluída na agenda uma visita à Zona Desmilitarizada que divide a península, algo que Washington descartou por considerar um "clichê".

A Coreia do Norte executou o seu sexto teste nuclear no início de setembro e intensificou os lançamentos de mísseis, alegando ter a capacidade de atingir o território continental dos Estados Unidos.

Alguns analistas advertiram que qualquer saída de pauta do presidente americano, que tem a tendência a este tipo de gesto, poderia aumentar a tensão na península.

"Se Trump falar qualquer coisa que possa provocar a Coreia do Norte, isto poderia aumentar as tensões de novo", afirmou o professor Koo Kab-Woo da Universidade de Estudos Norte-Coreanos de Seul.

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