Catalunha: Justiça anula a declaração de independência e separatistas protestam

Madri, 8 Nov 2017 (AFP) - Com cartazes e aos gritos de "liberdade", os separatistas catalães bloquearam estradas, ruas e linhas férreas nesta quarta-feira em protesto contra a prisão de seus líderes, em um dia de greve geral, aderida por menos pessoas do que o esperado.

Deixando o ambiente ainda mais tenso, a Corte Constitucional espanhola também anunciou nesta quarta que anulou a declaração unilateral de independência da Catalunha adotada em 27 de outubro pelo Parlamento regional.

Diferente da paralisação geral de 3 de outubro, convocada em protesto pela violência policial durante o referendo de independência do dia 1º, a maioria dos mercados, lojas e restaurantes de Barcelona abriram suas portas e as fábricas da região funcionavam normalmente.

"A adesão à greve foi mínima na prática em todos os setores, menos no da educação", assegurou em Barcelona Juan Antonio Puigserver, secretário do ministério do Interior espanhol.

Convocada pelas associações e um sindicato separatistas, a greve visava paralisar esta região, que reúne um quinto da riqueza do país, em protesto contra a prisão de vários líderes e contra a intervenção de Madri na autonomia catalã.

Os grevistas concentram sua ação em perturbar os transportes, bloqueando 60 pontos da malha rodoviária, incluindo as duas principais autoestradas que ligam a região com a França e Madri, e os principais acessos à Barcelona, informou o serviço de tráfego regional.

A circulação de trens de alta velocidade entre Barcelona e a França também foi suspensa, depois que um grupo de manifestantes com bandeiras separatistas invadiu a vias férreas da estação de Girona, aos gritos de "liberdade, liberdade!".

Outro grupo de manifestantes forçou o fechamento da principal atração turística da cidade, a basílica da Sagrada Família. Nas portas da igreja colaram um enorme cartaz com a mensagem: "A repressão não é uma solução" en inglês.

A greve foi convocada pelo sindicato separatista CSC pouco depois da decisão da Audiência Nacional de Madri de prender oito líderes regionais destituídos, mas não conta com o apoio dos principais sindicatos.

O setor da educação foi o que mais aderiu à greve, uma vez que seu principal sindicato expressou apoio a esta mobilização.

- Inconstitucional -Nesta quarta-feira, os magistrados da Corte Constitucional espanhola decidiram que a declaração de independência de 27 de outubro é nula e inconstitucional.

O líder dos separatistas, o ex-presidente regional Carles Puigdemont, encontra-se desde 30 de outubro em Bruxelas com quatro membros de seu governo após ter sido destituído pelo governo espanhol de Mariano Rajoy, que agora controla a administração regional.

Os demais líderes estão em prisão preventiva, investigados pelos crimes de rebelião, sedição e desvio de dinheiro público.

As mesmas acusações pesam sobre Puigdemont e seus companheiros em Bruxelas, que aguardam a decisão da justiça belga sobre a extradição solicitada pela justiça espanhola.

No Congresso de Madri, Rajoy afirmou que "as coisas estão funcionando bem" e se mostrou esperançoso quanto as eleições convocadas para o dia 21 de dezembro. Ele espera que sirvam "para abrir uma nova fase política, que necessariamente deve ser uma etapa de tranquilidade, normalidade, de convivência".

As pesquisas apontam um resultado similar ao das eleições de 2015, quando os separatistas conquistaram a maioria dos assentos, mas não de votos.

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