Acordo comercial UE-Mercosul está próximo, afirma diplomata europeu

Brasília, 10 Nov 2017 (AFP) - "Estamos perto assim de ter uma nova associação e um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul", disse nesta sexta-feira (10) o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, aproximando o dedo indicador do polegar.

O gesto usado por Katainen foi a conclusão geral da reunião que teve nesta sexta em Brasília com o presidente Michel Temer e com os chanceleres do bloco sul-americano para criar a muito esperada área de comércio entre ambas as regiões.

"Em um tempo em que alguns estão construindo muros, nós queremos construir pontes", disse ele no Palácio do Planalto, perto dos ministros das Relações Exteriores de Brasil, Argentina, Uruguai e do vice-chanceler do Paraguai.

As duas partes trabalham com pressa para poder fazer um anúncio que sele o pacto, ao menos em nível político, no mês que vem em Buenos Aires, durante a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Concluímos hoje mais uma rodada de negociação que eu espero que seja a última, ou a penúltima, de tal maneira que nós possamos ter. E esse é o nosso objetivo otimista, mas também realista: a conclusão deste acordo até o final deste ano", disse o chanceler brasileiro, Aloysio Nunes.

Ao longo de quase duas décadas, as discussões entre os quatro países do Mercosul e os do bloco europeu - que atualmente são 28 - foram marcadas por desencontros.

Em 2004, a negociação foi suspensa, sendo retomada apenas seis anos depois, com o compromisso de melhorar as ofertas originais.

No mês passado, a UE completou sua oferta, propondo a importação de 70 mil toneladas para a carne bovina e de 600 mil toneladas para o etanol, dois bens muito delicados politicamente no Velho Continente.

Mas os números decepcionaram o bloco latino, tornando-se um novo obstáculo.

Diplomatas sul-americanos e do governo brasileiro confirmaram para a AFP que o acordo está bem próximo e disseram acreditar que chegará a tempo para Buenos Aires, apesar de ainda faltar afinar o funcionamento futuro de capítulos delicados, como compras governamentais, alguns bens agrícolas e propriedade intelectual.

- Comissária europeia: um acordo 'possível' -Após a chegada de Donald Trump à Casa Branca, a UE buscou estimular uma política de livre-comércio e, em julho passado, alcançou um acordo político com o Japão, similar ao que pretende fechar agora com o bloco sul-americano.

"Compartilhamos muitos valores", disse nesta sexta-feira em Bruxelas a comissária de Comércio, Cecilia Malmström, após uma reunião informal com os ministros europeus dessa área, destinada ao Mercosul.

"O apoio [a um acordo] é bem claro. Claro, há assuntos sensíveis, sobretudo, no setor agrícola. Teremos que fazer uma oferta final", acrescentou, em declarações à imprensa.

"Nos comprometemos a concluir o processo até o fim do ano. É possível", garantiu.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, também afirmou no mês passado seu compromisso com esse calendário e definiu o possível pacto como "o mais importante" em nível econômico já negociado pela UE.

Em 2016, o fluxo comercial entre os dois blocos foi de 86,712 bilhões de dólares, com um superávit de 1,189 bilhão de dólar a favor dos sul-americanos, segundo dados do Ministério brasileiro de Indústria e Comércio Exterior.

O Mercosul exportou, principalmente, produtos básicos (52,1% do faturamento total). Nas importações procedentes da UE, 95,4% correspondem a produtos industrializados.

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