Mulheres protestam contra projeto de lei que proíbe aborto em caso de estupro

Rio de Janeiro, 13 Nov 2017 (AFP) - Centenas de mulheres foram às ruas nesta segunda-feira (13) no Rio de Janeiro para protestar contra o polêmico projeto de emenda constitucional 181 (PEC 181), aprovado na semana passada por uma comissão mista na Câmara dos Deputados, que pretende proibir o aborto mesmo nos casos previstos, como de estupro.

As manifestantes marcharam pelas ruas do centro de Rio de Janeiro, algumas carregando bebês, convocadas por organizações pró-aborto de todo o país.

No protesto podia-se ver a frase "Todas contra 18", em referência aos 18 votos contra 1 que levaram a comissão mista da Câmara dos Deputados a aprovar na última quarta-feira a PEC 181, com o voto contrário da única mulher presente na sessão.

"É inadmissível que um grupo de homens decida sobre o corpo das mulheres. É um retrocesso, em todo o sentido da palavra", disse Flora Rosa, estudante de 18 anos que protestava com amigos.

O projeto de lei, cujo objetivo inicial é alargar a licença maternidade das mães de bebês prematuros, é considerado um "cavalo de Troia" pelas militantes porque o texto indica que o direito à vida é "inviolável desde a concepção".

Essa definição inviabilizaria o aborto legal, previsto em casos de estupro, gravidez com risco à saúde da mãe ou em caso de anencefalia.

"O Brasil é um dos países onde há mais estupros e onde uma mulher morre a cada dois dias por abortos clandestinos em condições insalubres. A clandestinidade mata", reclamou Carla, uma ativista de 36 anos.

Por volta das 20H00, houve correria e tumulto depois que policiais militares lançaram bombas de gás contra os manifestantes sem que houvesse motivo aparente.

Os deputados da comissão devem analisar, no próximo dia 21, sete destaques que podem alterar o conteúdo da proposta.

A maior parte dos analistas acreditam que o texto tem poucas chances de passar, apesar da forte influência evangélica no Congresso.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu que o projeto seja reformulado, garantindo nas redes sociais que a proibição do aborto em casos de estupro "não vai passar".

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