Denunciada na ONU continuidade de bloqueio saudita no Iêmen

Nações Unidas, Estados Unidos, 15 Nov 2017 (AFP) - A Suécia, membro não permanente do Conselho de Segurança, e as Nações Unidas denunciaram nesta quarta-feira (15) a falta de avanços para a reabertura do acesso à ajuda no Iêmen, apesar da pressão internacional sobre a Arábia Saudita.

Depois de três semanas do bloqueio, os hospitais iemenitas estão ficando sem combustível, enquanto há risco de fome em massa e o país luta contra uma epidemia de cólera que já deixou 2.200 mortos.

Para piorar o cenário, as reservas de vacinas contra a difteria acabarão em duas semanas a menos que a ajuda humanitária volte ao país, disse o porta-voz da ONU, Farhan Haq.

Há uma semana, a Suécia tinha pedido uma reunião do Conselho de Segurança para solicitar uma suspensão imediata do bloqueio imposto pela coalizão árabe, comandada pela Arábia Saudita, em guerra no Iêmen contra os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã.

"O problema é que até ontem, isto é, uma semana depois da reunião, continua havendo enormes problemas e não tem havido nenhum avanço sobre a reabertura do acesso humanitário", disse o representante sueco, Olof Skoog, antes de uma sessão do Conselho.

O diplomata citou especialmente "o porto de Hodeida e o aeroporto de Sanaa", a capital, cruciais para a distribuição de ajuda, e pediu que se busque uma nova iniciativa na ONU para destravar a situação.

Skoog disse que estava "perturbado" pela situação, mas não indicou se a Suécia convocará uma nova reunião do Conselho de Segurança sobre o bloqueio humanitário, depois de naufragar uma proposta de resolução para a crise.

Na semana passada, ante o Conselho de Segurança, Mark Lowcock, vice-secretário-geral de assuntos humanitários da ONU, disse que se o bloqueio não for suspenso, o Iêmen enfrentará "a maior fome que o mundo viu em muitas décadas, com milhões de vítimas".

As Nações Unidas, que já tinham qualificado a situação no Iêmen como a crise humanitária número um do mundo, com 17 milhões de pessoas urgentemente necessitadas de alimento, sete milhões das quais em risco de sofrer de fome extrema.

"O impacto humanitário do que está acontecendo é inimaginável", disse esta semana o coordenador de ajuda da ONU no Iêmen, Jamie McGoldrick.

As reservas de diesel e gasolina estão acabando em partes do Iêmen devido ao bloqueio, enquanto os preços dos itens básicos dispararam.

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