EUA descartam sanções contra Mianmar 'no momento'

Naypyidaw, Mianmar, 15 Nov 2017 (AFP) - O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou nesta quarta-feira que se opõe a decretar sanções contra Mianmar, embora tenha pedido uma investigação "confiável" sobre as acusações de limpeza étnica de muçulmanos rohingyas pelo Exército birmanês.

Desde o fim de agosto, a ONU acusa Mianmar de "limpeza étnica" dessa minoria, que vive no estado de Rakhine.

A ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que se encontrou com Tillerson, negou, por sua vez, ter guardado silêncio sobre a tragédia, em meio a críticas da comunidade internacional por ela não ter defendido essa comunidade muçulmana, perseguida em Mianmar.

Em resposta a uma série de ataques da rebelião rohingya, o Exército birmanês realizou uma campanha de represália em Rakhine.

Os mais de 600 mil refugiados que fugiram no fim de agosto para Bangladesh, metade deles crianças, deram conta de abusos, violações ou assassinatos por parte dos soldados birmaneses.

Desde então, alguns países e organizações de defesa dos direitos humanos exigem a imposição de novas sanções contra Mianmar.

"Sanções econômicas globais não são algo que eu recomendaria no momento", indicou o secretário de Estado americano, após ter se encontrado com a líder Aung San Suu Kyi e com o chefe do Exército birmanês.

Até o momento, os Estados Unidos, bem como outros países ocidentais, limitaram-se a reforçar algumas medidas de punição contra o Exército birmanês.

Declarando-se "preocupado com as informações confiáveis sobre atrocidades cometidas em larga escala pelo Exército e as milícias", pediu que seja criada uma comissão de investigação independente que "seria útil a todo mundo". As milícias budistas ultranacionalistas foram acusadas de auxiliar o Exército em seus abusos.

"Sabemos que o que ocorreu em Rakhine apresenta várias características de crimes contra a humanidade. Sobre se foi limpeza étnica, continuamos avaliando a situação", afirmou.

Os rohingyas constituem a maior população apátrida do mundo desde que lhes foi retirada a nacionalidade birmanesa, em 1982, sob o regime militar.

Eles não possuem documento de identidade e não podem viajar ou se casar sem autorização, tampouco ter acesso ao mercado de trabalho ou a serviços públicos, como escolas ou hospitais.

- 'Prestar contas' -"As recentes e sérias acusações de abusos no estado de Rakhine exigem uma investigação imparcial e confiável. Aqueles que cometem violações dos direitos humanos devem prestar contas", afirmou Tillerson.

Em um relatório recente, o Exército, que afirma ter realizado sua própria investigação interna, rejeitou as acusações de abusos.

Preocupado em proteger o governo civil, Tillerson reiterou o apoio dos Estados Unidos à líder birmanesa, que tem que enfrentar "uma situação que não é simples".

Já Aung Suu Kyi elogiou a "abertura de espírito" de Tillerson, "algo muito incomum nestes tempos".

Como a maioria dos países ocidentais desde o começo da crise, os Estados Unidos tentam não culpar Aung Suu Kyi, diferenciando o governo civil e os militares.

A líder tem que negociar com um Exército em campo, e sobre o qual não tem poder real, uma vez que o mesmo controla ministérios cruciais, como os de Interior, Defesa e Fronteiras.

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