Líbano acusa Arábia Saudita de manter premiê Hariri em detenção

Beirute, 15 Nov 2017 (AFP) - O presidente do Líbano, Michel Aun, elevou o tom nesta quarta-feira (15) contra a Arábia Saudita, acusando-a de manter em detenção o primeiro-ministro Saad Hariri, no momento em que a França pressiona pelo retorno do líder ao seu país.

Hariri não retornou ao Líbano desde que anunciou inesperadamente em Riad sua demissão em 4 de novembro. Sua liberdade de movimento é objeto de especulações, apesar de o líder libanês insistir estar "livre" e pronto para retornar.

Uma semana após a visita do presidente francês, Emmanuel Macron, à Arábia Saudita, a França multiplica as iniciativas para obter esse retorno, e o chanceler Jean-Yves Le Drian deve viajar a Riad nesta quarta-feira à noite.

Uma reunião está prevista com o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, mas o chefe da diplomacia francesa também deve se reunir com o próprio Saad Hariri.

Nesta quarta, Macron afirmou, através do porta-voz do governo, que deseja que Hariri "reafirme, confirme, no Líbano, sua vontade de renunciar, se essa for sua escolha".

Segundo informações do Palácio do Eliseu, sede do Executivo francês, à AFP, o premiê demissionário "deve chegar à França nos próximos dias", a convite do presidente francês.

"Após várias conversas com o senhor Hariri e o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, desde ontem", Emmanuel Macron "convidou" o primeiro-ministro demissionário para ir "com sua família" para a França, acrescentou o Eliseu.

Em declarações à imprensa, Macron disse ter convidado o premiê a passar "alguns dias" na França, descartando que se trate de um exílio.

- Escalada -Diante das especulações, o chefe de Estado libanês, Michel Aoun, elevou o tom contra Riad.

"Nada justifica que Hariri não esteja de volta após 12 dias. Assim, o consideramos um cativo e detido, o que é contrário à Convenção de Viena" que rege as relações diplomáticas entre os países, indicou um tuíte da Presidência libanesa, citando Aoun.

"Não se trata de uma renúncia, mas de uma agressão contra o Líbano, sua independência e dignidade", acrescentou, dizendo que "o primeiro-ministro goza de imunidade diplomática", de acordo com esta convenção internacional.

"Nós não vamos aceitar que ele permaneça refém", acrescentou Aoun, que disse não ser capaz de entrar em contato Hariri.

O presidente libanês foi eleito em 2016 graças ao apoio do Hezbollah xiita, rival de Hariri. Dois meses depois, este último formou seu governo com esses rivais graças a um compromisso.

Saad Hariri, um protegido de Riad, justificou sua renúncia pelos desmandos em seu país de parte do Irã e do Hezbollah.

Diante da crescente comoção em seu país, ele garantiu em entrevista no domingo estar "livre".

"Quero reiterar e certificar de que estou muito bem", garantiu Hariri em uma aparente resposta às declarações de Aoun. "Eu retornarei, se Deus quiser, ao meu querido Líbano como prometi a vocês", acrescentou.

Já Aoun repetiu sua posição sobre a renúncia do primeiro-ministro: "Não podemos tomar uma decisão sobre uma renúncia que tenha sido apresentada no exterior".

"É preciso que ele volte ao Líbano para apresentar sua demissão, reconsiderar sua decisão ou discutir seus motivos", afirmou o presidente libanês.

A renúncia de Hariri foi vista como uma nova disputa entre a Arábia Saudita sunita e o Irã xiita. As duas potências do Oriente Médio já se enfrentam em outros assuntos regionais, como as guerras no Iêmen e na Síria.

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