Odebrecht na Colômbia: MP pede investigação de políticos e ex-ministro

Bogotá, 15 Nov 2017 (AFP) - O Ministério Público da Colômbia pediu, nesta quarta-feira (15), para a Corte Suprema de Justiça investigar oito parlamentares da base do governo e um ex-ministro do presidente Juan Manuel Santos, supostamente envolvidos na rede de subornos da construtora brasileira Odebrecht.

"A modalidade de corrupção detectada consistia na contratação ilícita de serviços por parte de congressistas (...) para que, através de suas competências e funções, pressionassem decisões governamentais a favor da Odebrecht", indicou o MP em comunicado.

Na Colômbia, a Corte Suprema tem a competência de investigar e julgar pessoas com foro, como senadores, representantes e ex-ministros.

Os executivos da empresa "conseguiram o apoio" de legisladores para que a construtora conseguisse um contrato de concessão viária em 2012, durante o primeiro mandato de Santos, acrescentou.

Para isso, contaram com a intermediação do ex-senador Otto Bula e do empresário Federico Gaviria, ambos detidos no mesmo escândalo.

A princípio, Bula e Gaviria entraram em contato com os senadores Mussa Besaile, Bernardo Elías e Armando Benedetti, do Partido de la U, de Santos, e Antonio Guerra, do Cambio Radical.

Este grupo de congressistas, conhecidos como "los buldozer", ou "os tratores", teria recebido ao todo 2 milhões de dólares, segundo o MP.

Os pagamentos foram feitos pela Odebrecht do exterior, por meio de uma empresa panamenha onde foram assinados os cheques, endossados na Colômbia para pagar as propinas.

Além dos "buldozers", também estariam envolvidos no escândalo os senadores Álvaro Ashton (Partido Liberal), Sandra Villadiego (Partido de la U), Martín Morales (De la U) e o representante Alfredo Cuello (Partido Conservador).

Neste caso, a Odebrecht teria contado com a conivência do então ministro de Transporte, Miguel Peñaloza, para conseguir o contrato. O MP também pede que ele seja investigado.

Peñaloza ocupou esta pasta entre maio e agosto de 2012.

Villadiego, entretanto, negou as acusações, e Benedetti anunciou uma coletiva de imprensa para responder à acusação.

Segundo o MP, para obter o benefício, a construtora brasileira pagou 16,5 milhões de dólares em subornos, apesar de não indicar quanto era destinado aos parlamentares, ou a Peñloza.

A Odebrecht, envolvida em um escândalo global de corrupção, reconheceu ao governo dos Estados Unidos que pagou 11,1 milhões de dólares em subornos na Colômbia. De acordo com o MP, as propinas superariam os 27,7 milhões de dólares.

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