Guterres adverte sobre políticas antiterroristas que violam DH

Londres, 16 Nov 2017 (AFP) - O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu nesta quinta-feira em Londres sobre o impacto das políticas antiterroristas nos direitos humanos e pediu aos meios de comunicação para não "estigmatizar" certas comunidades em sua cobertura sobre atentados.

"Sem uma base sólida no terreno dos direitos humanos, as políticas antiterroristas podem ser usadas de forma indevida", declarou para estudantes da School of Oriental and African Studies (SOAS).

"Podem nos fazer ter menos segurança ao minar o bom governo e o Estado de direito", considerou. "O terrorismo constitui fundamentalmente uma negação e uma destruição dos direitos humanos. A luta contra o terrorismo não funcionará nunca perpetuando a mesma negação e a mesma destruição".

"Infelizmente, algumas políticas da luta contra o terrorismo podem ser usadas, e são usadas, para reprimir as manifestações pacíficas e os movimentos de oposição legítimos, para silenciar o debate de ideias, para focalizar e prender os defensores dos direitos humanos", disse, sem citar nenhum país em particular.

"A maioria daqueles que cometem atos de terrorismo procede de países onde violam os direitos humanos. E essas violações são, às vezes, o detonador", destacou.

O secretário-geral da ONU também advertiu a imprensa sobre a cobertura que faz dos atentados. "Todos temos responsabilidade de basear nossos relatos em fatos e de evitar fazer o trabalho dos terroristas demonizando e estigmatizando determinados grupos".

"Em alguns países, a maior parte dos projetos e atentados terroristas é cometida por grupos de extrema direita", argumentou. "E, no entanto, a mídia se concentra muito mais nos ataques realizados por imigrantes e membros de minorias étnicas e religiosas".

A ONU calcula que no ano passado ocorreram 11.000 ataques terroristas em mais de 100 países, com um balanço de mais de 25.000 mortos.

A grande maioria aconteceu em países em vias de desenvolvimento, e 75% das mortes foram registradas em cinco países: Iraque, Afeganistão, Síria, Nigéria e Somália.

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