Rússia veta estender investigação sobre armas químicas na Síria

Nações Unidas, Estados Unidos, 16 Nov 2017 (AFP) - A Rússia vetou nesta quinta-feira (16), no Conselho de Segurança, uma resolução que buscava prorrogar a investigação da ONU para determinar os responsáveis por ataques químicos na Síria.

Trata-se da décima vez que Moscou utiliza seu poder de veto para bloquear medidas do Conselho de Segurança contra seu aliado em Damasco.

Depois do veto de Moscou, Conselho de Segurança vetou também o projeto de resolução russo para estender o mandato da investigação da ONU. A medida não conseguiu os nove votos mínimos necessários para ser adotado.

O mandato do grupo de especialistas da ONU e da Organização para a Prohibição de Armas Químicas (OPAQ), chamado JIM, vence nesta sexta-feira às 05H00 GMT (03H00 horário de Brasília).

O texto russo pedia a revisão da missão do JIM - composto por especialistas das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) - e o congelamento de seu último relatório, que envolve o governo de Bashar al-Assad em um ataque a civis com gás sarin.

Washington era contra essa proposta e pede sanções aos responsáveis por usar armas químicas na Síria.

A proposta americana recebeu onze votos a favor, dois contra (Rússia e Bolívia) e duas abstenções (China e Egito). O voto negativo de Moscou, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, equivale a um veto.

"A Rússia matou o mecanismo investigador que conta com um esmagador apoio deste Conselho", afirmou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"A mensagem é clara: a Rússia aceita o uso de armas químicas na Síria", disse.

O representante britânico, Matthew Rycroft, ressaltou que a "Rússia fracassou em promover a paz na Síria" ao se negar a ser "construtivo" no debate dos textos.

Seu colega francês, Francois Delattre foi mais metafórico: "Nós soltamos um monstro", alertou.

- Além da Síria -O representante russo, Vassily Nebenzia, rejeitou todas essas críticas, denunciando especialmente a "desonestidade" do Reino Unido, que acusou de "traição". "A Rússia não podia votar no projeto americano, todo mundo sabia disso", afirmou.

A renovação do mandato do JIM, que vence nesta sexta-feira, alimenta há semanas uma polêmica entre Washington e Moscou, depois que o painel concluiu em outubro que o governo sírio esteve envolvido no ataque com gás sarin em 4 de abril em Khan Sheikhun que deixou mais de 80 mortos.

A Rússia considera, assim como seu aliado Damasco, que o gás encontrado procedia da explosão de um obus no solo.

Em seu projeto, a Rússia insistiu em deixar de lado as conclusões do painel sobre Khan Sheikhun para permitir outra "investigação de alta qualidade e a escala completa" a cargo do JIM, dirigido pelo guatemalteco Edmond Mulet.

Pouco mais de uma hora antes da votação, o presidente americano Donald Trump saiu do silêncio sobre o tema: "é necessário que o Conselho de Segurança da ONU renove o Mecanismo Conjunto de Investigação na Síria para assegurar que o regime de Assad jamais volte a cometer assassinatos em massa com armas químicas", tuitou.

Os Estados Unidos querem fazer do JIM "um instrumento submisso de manipulação da opinião pública", denunciou nesta quinta-feira o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov.

Estados Unidos, França e Reino Unido defenderam o painel de especialistas, destacando que todo o sistema de não proliferação estabelecido pelas Nações Unidas para proibir o uso de armas químicas no mundo estava em jogo.

"O JIM não é uma ferramenta do Ocidente. É nosso bem comum e nosso melhor meio para combater o uso de armas químicas na Síria", disse o embaixador francês na ONU, François Delattre, antes da votação.

Rycroft havia alertado que se não estendessem o mandato do JIM, os membros do Conselho de Segurança "estariam dando um tiro no pé".

Desde sua criação em 2015 por iniciativa russo-americana, o JIM concluiu que as forças sírias, além do incidente em Khan Sheikhun, são responsáveis por ataques com cloro em três aldeias em 2014 e 2015, e que o EI usou gás mostarda em 2015.

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