EUA insistem em necessidade de Colômbia baixar produção de cocaína

Washington, 17 Nov 2017 (AFP) - Os Estados Unidos destacaram na sexta-feira (17) os esforços da Colômbia na luta contra o tráfico de drogas, mas insistiram na necessidade de reduzir os cultivos de coca, base da cocaína, assim como a produção desta droga.

O vice-presidente americano, Mike Pence, reafirmou "a associação forte e duradoura" entre os Estados Unidos e a Colômbia, após se reunir na Casa Branca com seu contraparte colombiano, Óscar Naranjo.

Em um comunicado, Pence "destacou a importância essencial dos esforços antinarcóticos da Colômbia e elogiou o vice-presidente Naranjo pelo progresso recente".

No entanto, também "destacou a necessidade de implementar técnicas de erradicação mais eficazes para reduzir os níveis de cultivo e produção".

O presidente americano, Donald Trump, assinou em setembro uma declaração na qual manifestava sua inquietação "frente à extraordinária expansão" dos narcocultivos na Colômbia e em outubro enviou uma carta ao seu contraparte Juan Manuel Santos pedindo-lhe ajuda para "diminuir a produção e o tráfico de drogas" neste país.

A Colômbia é o maior produtor e exportador mundial de cocaína, e os Estados Unidos o principal consumidor.

Entre 2014 e 2016, os narcocultivos dispararam de 69.000 a 146.000 hectares e a produção passou de 442 a 866 toneladas do alcaloide, segundo as Nações Unidas.

Ao mesmo tempo, o governo colombiano conseguiu no ano passado a cifra de apreensão recorde de 378 toneladas de cocaína, frente a 253 em 2015.

"Existe o compromisso colombiano de seguir trabalhando com os Estados Unidos na luta contra as drogas", assegurou Naranjo na sexta-feira em coletiva de imprensa ao concluir uma visita de cinco dias à capital americana, centrada em demonstrar as "oportunidades e desafios" que supõe o fim do conflito de cinco décadas com a ex-guerrilha das Farc.

Naranjo enfatizou nestes dias as autoridades de governo, ao Congresso, a agência antidrogas DEA e a diferentes líderes de opinião que com a paz "é possível substituir definitivamente os cultivos ilícitos e sair desta espécie de 'bicicleta ergométrica' da erradicação e da ressemeadura que foi a constante dos últimos 30 anos".

"Merecemos e precisamos de uma oportunidade para provar que o plano que tenemos de erradicação forçada manual e de substituição de cultivos começa a dar resultados", disse o vice-presidente, negociador do acordo com as Farc.

- Força naval tripartite com o México -Naranjo destacou a erradicação forçada de 45.000 hectares da meta de 50.000 deste ano, assim como a adesão de 18.000 famílias ao programa de substituição de cultivos que promove o governo no marco do acordo de paz.

Além disso, enfatizou os feitos colombianos na apreensão, com uma taxa que passou de 16% em 2002 a 43% em 2016.

Para avançar na interdição, a Colômbia impulsiona a criação de uma força naval com os Estados Unidos e o México contra o narcotráfico no Pacífico, uma ideia apoiada pelos dois países, disse.

"Vimos trabalhando há meses para formar uma força de tarefas naval, que comprometa esforços de Estados Unidos, México e Colômbia para fechar a rota do Pacífico (...), a principal do tráfico de drogas para o norte do continente", destacou.

"Esta iniciativa colombiana foi bem recebida no Congresso e pela administração" Trump, acrescentou.

Após a reunião de Pence com Naranjo, a Casa Branca informou que "os líderes também discutiram as oportunidades para ampliar as operações de interdição que podem evitar que os envios de drogas cheguem à costa dos Estados Unidos".

A força naval dos três países centraria suas operações na área de patrulhamento e controle do Pacífico sul colombiano, de onde sai a maior quantidade de drogas do país, segundo dados do Comando Sul dos Estados Unidos.

"A operação teria três propósitos: incrementar os esforços de Inteligência em alto mar, incrementar os esforços de interdição de lanchas rápidas e submersíveis e semi-submersíveis nesta zona e ter maior controle do que significa o acesso fluvial ao Pacífico", explicou Naranjo.

"O fundamental é que menos cocaína chegue aos Estados Unidos", resumiu.

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