Negociações para formar governo na Alemanha são adiadas por falta de acordo

Berlim, 17 Nov 2017 (AFP) - Conservadores, liberais e ecologistas alemães prorrogaram para esta sexta-feira as negociações para a formação de um governo, depois que não alcançaram um acordo até a data limite de 16 de novembro.

A chanceler Angela Merkel, que admitiu na quinta-feira a existência de "divergências profundas" com os possíveis sócios de governo, se reunirá novamente com os partidos para uma última tentativa de formar uma coalizão.

Após longas conversações, que entraram pela madrugada, um dos líderes da União Democrata-Cristã (CDU), Volker Kauder, afirmou que as negociações podem continuar durante o fim de semana.

Caso os três partidos não alcancem um acordo, o país provavelmente terá novas eleições. Se um pacto for concluído, os partidos começarão a redigir um "contrato de coalizão" para formar o quarto governo liderado por Merkel.

"Vamos para a prorrogação", disse o copresidente do Partido Verde, Cem Özdemir.

"Ainda existem divergências, sobretudo a respeito das questões de imigração e política financeira", reconheceu o líder do Partido Liberal (FDP), Christian Lindner, que, no entanto, se mostrou otimista.

Merkel abandonou as negociações às 04H45 do horário local (03H45 GMT, 01H45 horário de Brasília) sem fazer declarações. A chanceler havia fixado o dia 16 de novembro como data limite para chegar a um acordo, ou seja, quase dois meses depois das eleições legislativas que não deram ampla maioria a nenhum partido.

"Acho que podemos conseguir (...) embora seja um trabalho difícil", havia assegurado antes de se fechar durante horas com os responsáveis conservadores (CDU e seu aliado bávaro CSU), liberais e ecologistas.

Depois de semanas de negociações a portas fechadas marcadas por disputas e ataques públicos recíprocos, os três partidos ainda não chegaram a nenhum acordo sobre os temas mais controversos, como políticas climática e migratória.

- Merkel encurralada -Depois de uma vitória decepcionante nas legislativas de setembro e a ascensão da extrema direita, a chanceler, que está há 12 anos à frente da Alemanha, não tem alternativa à coalizão com os liberais e os Verdes.

O partido social-democrata SPD, que obteve um resultado historicamente baixo, decidiu ficar na oposição e deixou claro que não participará em um novo governo de Merkel.

"Para a chanceler não só seu próximo mandato que depende de um acordo da coalizão Jamaica, mas o futuro de sua carreira política", avaliou o jornal Bild na quinta-feira.

Com o transcorrer das semanas, o apoio da população a essa coalizão política perdeu força.

Se os partidos não chegarem a um acordo "haverá novas eleições. E ninguém as quer", afirmou o semanário Der Spiegel.

Caso haja novas eleições, teme-se uma vantagem do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que obteve 13% dos votos em setembro em um resultado histórico na Câmara dos Deputados.

As negociações permitiram alcançar alguns compromissos, como que seja mantido o excedente fiscal. Mas não se chegou a um consenso sobre alguns pontos fundamentais.

Sobre o clima, os ecologistas, que renunciaram a exigir o fim dos motores a combustão para 2030, pedem a seus sócios uma proposta mais ambiciosa sobre a meta de corte das emissões de CO2, até agora em vão.

A política migratória também é um ponto de desacordo, assim como a política europeia.

Os Verdes, que fizeram várias concessões importantes, não escondiam na quinta-feira sua irritação sobre o curso dos acontecimentos. "No fim isso só poderá funcionar se as partes fizerem um compromisso", disse um de seus responsáveis, Anton Hofreiter.

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