Palestinos afirmam que congelarão relações com EUA caso fechem escritório da OLP

Ramallah, Territórios palestinos, 18 Nov 2017 (AFP) - Os palestinos congelarão suas relações com os Estados Unidos caso o país feche o escritório da Organização para a Libertação da Palestina em Washington, advertiu neste sábado um alto responsável da OLP.

"Suspenderemos todas as nossas comunicações com essa administração americana", afirmou o secretário-geral da organização, Saeb Erekat, em um vídeo difundido no Twitter no qual diz ter informado oficialmente a Washington sobre sua decisão.

A OLP do presidente palestino Mahmud Abbas é vista pela comunidade internacional como a organização que representa o povo palestino e controla a Autoridade Palestina.

Pela primeira vez desde os anos 1980, os Estados Unidos se negaram a renovar a autorização que permite à OLP ter uma representação em Washington, denunciou neste sábado o ministro palestino de Relações Exteriores, Riyad Al Malki.

Erakat classificou a decisão americana de "muito lamentável e inaceitável", atribuindo-a a pressões exercidas pelo governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

"Em um momento em que nos esforçamos por cooperar para conseguir um acordo (de paz com os israelenses), eles tomam essas decisões que podem chegar a minar todo o processo de paz", lamentou Erakat.

A OLP deve obter a cada seis meses uma autorização do Departamento de Estado americano para que seu escritório na capital americana possa continuar funcionando.

"A Autoridade Palestina recebeu há dois dias uma carta del Departamento de Estado em que se indica que o secretário de Estado não encontrou razões suficientes para manter esse escritório aberto", explicou Malki.

"Isso nunca havia acontecido antes e pedimos esclarecimentos ao Departamento de Estado e à Casa Branca", acrescentou. "Nos responderam que haveria uma reunião de especialistas de alto nível na segunda-feira e que nos darão uma resposta clara então", acrescentou o ministro palestino.

Um funcionário do Departamento de Estado citou "algumas declarações realizadas por líderes palestinos" acerca do Tribunal Penal Internacional (TPI) como o motivo para não renovar a autorização.

Malki também disse entrever que a decisão pode ser resposta ao discurso de Abbas na Assembleia Geral da ONU, em que mencionou a possibilidade de denunciar ao TPI as colônias israelenses em territórios palestinos.

Os Estados Unidos, como Israel, não reconhecem o TPI, o primeiro tribunal permanente encarregado de julgar genocídios, crimes de guerra e crimes contra a Humanidade.

A colonização, que consiste em construir assentamentos civis israelenses nos territórios palestinos ocupados, é considerada contrária ao direito internacional.

Os responsáveis da Autoridade Palestina se reunirão na segunda-feira para denunciar os próximos passos a serem seguidos após o anúncio do Departamento de Estado.

No entanto, o escritório da OLP poderá continuar funcionando "de forma reduzida" durante 90 dias, informou Malki.

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