Partido de Macron designa seu novo líder

Paris, 18 Nov 2017 (AFP) - O partido do presidente francês Emmanuel Macron designou neste sábado seu novo líder, em meio às primeiras críticas dentro do movimento centrista pró-europeu.

Christophe Castaner, de 51 anos, leal porta-voz do governo, foi eleito chefe do movimento de Macron, a República em Marcha (LREM), durante seu congresso celebrado em Lyon (centro-leste).

A eleição sem oposição de Castaner foi criticada por alguns militantes de base do LREM, que em suas origens Macron classificou de "movimento cidadão".

O novo chefe do partido - que admitiu que não sonhava com este cargo, não remunerado - adotou um tom humilde ao se dirigir aos membros do LREM: "Seu voto não me concede direito, somente responsabilidades".

O movimento foi criado por Macron em abril de 2016 com o nome "Em Marcha". Mas, desde então, várias figuras do partido, que agora mudou o nome para LREM, admitem que, depois de ter conseguido nos primeiros meses mais de 350.000 membros, o movimento estancou.

Pior ainda, cem membros do partido publicaram esta semana uma carta aberta em que anunciam se retirar do movimento, por uma suposta falta de democracia interna e "práticas do velho mundo" da política.

Estes insurgentes se autodenominam os "100 democratas" e denunciam, além disso, o que chamam de a "coroação de Christophe Castaner", um homem ligado a Macron e único candidato na disputa.

Estas primeiras fissuras acontecem em um momento delicado para Macron, que precisa de uma base sólida para enfrentar a queda de popularidade nas pesquisas e a revolta dos sindicatos contra suas reformas consideradas muito liberais.

O presidente precisa também de um partido forte para ganhar terreno nas próximas eleições locais e regionais, etapas indispensáveis se quiser "transformar" a França, como prometeu.

O LREM foi muito eficaz durante a campanha eleitoral, quando milhares de voluntários se mobilizaram para promovê-lo.

Muitos se sentiram atraídos pela promessa de Macron de fazer política de maneira diferente.

Mas quando o ex-banqueiro de investimentos assumiu o cargo, os membros mais próximos de sua equipe foram nomeados para cargos de assessores e ministros, deixando de fora os principais promotores de seu partido.

Um membro da campanha do LREM em Paris, que não quis ser identificado, disse à AFP que está difícil colocar o partido em marcha. "Se precisamos de algo, não resolvem nada. Até mesmo a central telefônica não funciona direito", lamenta.

Para outros, a eleição de Castaner dará um novo enfoque ao partido, mas o pouco transparente processo que levou a sua nomeação deixou alguns ativistas preocupados com a falta de democracia interna.

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