Amsterdã e Paris sediarão agências da UE afetadas pelo Brexit

Bruxelas, 20 Nov 2017 (AFP) - Amsterdã e Paris serão as próximas sedes das agências europeias que devem abandonar Londres por causa do Brexit, depois de vencerem a disputa com outras cidades como Barcelona, cuja derrota gerou uma troca de acusações entre Madri e líderes separatistas catalães.

Um sistema de votação secreto deveria escolher o novo local para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e para a Autoridade Bancária Europeia (EBA), mas um sorteio entre os finalistas, empatadas em pontos, apontou Amsterdã e Paris como novas sedes, respectivamente.

"Paris acolherá a EBA! É o reconhecimento à atratividade e ao compromisso europeu da França", celebrou o presidente francês, Emmanuel Macron.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, comemorou a "boa notícia para todos os pacientes na Europa e para a Holanda" de que Amsterdã seja a futura sede da agência encarregada de supervisionar desde 1995 os medicamentos de uso humano e animal.

A sorte apontou para a cidade holandesa em vez de Milão. "Uma candidatura sólida derrotada unicamente por um sorteio. Que farsa!", tuitou o primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni, cujo executivo teve que desmentir dias atrás que aumentaria suas tropas nos países bálticos, em troca do apoio deles a Milão.

Embora a saída do Reino Unido esteja prevista para 29 de março de 2019, a UE queria estar com tudo pronto para a mudança da EMA e da EBA, uma "consequência direta" e "o primeiro resultado visível" do Brexit, segundo a Comissão Europeia.

A escolha das novas sedes, por parte de ministros europeus reunidos em Bruxelas sem participação britânica, testa a unidade do bloco em meio às negociações do Brexit e à pressão do leste.

- 'Danos diretos' do separatismo -Os países europeus haviam se lançado à disputa por essas agências, diante dos benefícios econômicos associados a tornar-se a nova sede, mas os países do leste europeu, os últimos a serem incorporados ao bloco, reivindicaram seu direito a abrigar algum organismo europeu.

"Esperamos que pelo menos uma das agências esteja em um Estado-membro mais recente", disse, em vão, o secretário de Estado tcheco para Assuntos Europeus, Ales Chmelar, cujo país optou por acolher o organismo criado em 2011 e conhecido por seus testes de estresse aos bancos europeus.

Até o momento, as consequências das derrotas foram repassadas para o nível interno, especialmente na Espanha, cuja ministra da Saúde, Dolors Montserrat, estimou que o fracasso de Barcelona "talvez seja outro dos danos diretos do separatismo" na Catalunha.

"Estamos muito decepcionados", disse à imprensa o ministro espanhol de Assuntos Exteriores Alfonso Dastis, que atribuiu o fracasso "à incerteza" e "à insegurança" geradas pelo separatismo.

Para o presidente catalão destituído, Carles Puigdemont, a derrota da candidatura da capital catalã é um novo "sucesso" das ações lançadas pelo governo espanhol após a proclamação unilateral de independência catalã.

A prefeita de Barcelona, Ada Colau, também se manifestou: "Barcelona era a melhor candidatura no nível técnico. Nem a declaração unilateral de independência nem o (artigo) 155 (da Constituição espanhola usado por Madri para pôr sob tutela a autonomia catalã) ajudaram".

Com a eliminação de Barcelona, a Espanha, que conta com três agências, fracassa em sua segunda tentativa para atrair a agência comunitária de medicamentos à essa cidade turística, que já havia sido finalista na época em que foi concedida a Londres.

- 'Fish and chips' para a EMA -Embora o equilíbrio geográfico estivesse entre os critérios definidos pela UE para a mudança de ambas as agências, junto a cinco outros de caráter mais técnico, a Comissão ressaltou como prioridade a manutenção da atividade e dos funcionários.

Os trabalhadores da EMA já haviam expressado em uma pesquisa,cujos detalhes vazaram para a imprensa, sua insatisfação com a possibilidade de que as cidades da ex-órbita soviética se tornassem novas sedes. Apenas 30% de seus quase 900 funcionários estavam dispostos a se mudar para esses lugares.

Finalmente, Amsterdã, uma das preferidas junto a Barcelona, será a nova sede, onde os funcionários poderão continuar comendo 'fish and chips', um popular prato do Reino Unido feito de peixe e batatas fritas, e disfrutando de uma "rainha muito elegante", como prometeu a Holanda no vídeo de apresentação da sua candidatura.

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