Alemanha tenta superar crise política inédita

Berlim, 21 Nov 2017 (AFP) - A Alemanha inicia consultas nesta terça-feira para tentar sair de uma encruzilhada política após o fracasso das negociações para a formação de um governo entre conservadores, liberais e ecologistas.

O presidente da República Federal, Frank-Walter Steinmeier, que tem o poder de convocar novas eleições após dissolver o Parlamento, anunciou a intenção de uma reunião com os partidos que podem integrar um governo liderado pela chanceler conservadora Angela Merkel: todos, com exceção da extrema-direita e da esquerda radical.

Após um encontro com Merkel na segunda-feira, Steinmeier receberá nesta terça-feira os líderes do Partido Verde, antes de uma reunião muito aguardada com o presidente de seu próprio partido, o Social-Democrata (SPD), que no momento se nega a estabelecer uma aliança com a chanceler. Mais tarde se reunirá com o partido liberal FDP.

O objetivo é encontrar uma forma de evitar que os alemães tenham que retornar às urnas meses depois das eleições legislativas de setembro. Uma perspectiva que aumenta a incerteza em uma União Europeia enfraquecida pelo Brexit.

A preocupação é grande no país, ainda mais depois do terremoto político provocado pela entrada de deputados do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Câmara Baixa do Parlamento após a votação de setembro.

De acordo com as pesquisas, o avanço do AfD pode ser confirmado, ou até aumentar, no caso de eleições antecipadas.

Segundo uma pesquisa divulgada na segunda-feira, 45% dos alemães desejam retornar às urnas, contra 27% que defendem uma nova "grande coalizão" entre os conservadores e o SPD. Outros 24% querem que Merkel governe em minoria.

Steinmeier, que foi ministro das Relações Exteriores de Merkel em dois períodos distintos (2005-2009 e 2013-2017), prefere evitar a convocação de eleições antecipadas.

Os partidos eleitos têm a "missão" de formar um governo e não podem desistir da tarefa ante os eleitores com a primeira dificuldade, argumentou o presidente na segunda-feira.

A maior economia da Europa e seus mais de 82 milhões de habitantes enfrenta uma crise inédita desde domingo, quando o FDP abandonou as negociações lideradas pela chanceler para obter uma aliança majoritária entre seu grupo conservador (a CDU e sua aliada bávara CSU), os liberais e os Verdes, a única coalizão possível após a decisão do SPD de permanecer na oposição.

Merkel não pretende jogar a toalha. Na segunda-feira, ela disse que voltará a ser candidata em eventuais eleições antecipadas, apesar das críticas que recebe das ala mais à direita de sua família política, que não perdoa sua decisão de receber mais de um milhão de migrantes na Alemanha em 2015 e 2016.

Após 12 anos no poder, a chanceler descarta a formação de um governo minoritário,

"A Alemanha precisa de um governo estável que não tenha que buscar a maioria a cada vez que tomar uma decisão", afirmou.

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