Premier Hariri volta ao Líbano após demissão inesperada

Beirute, 22 Nov 2017 (AFP) - O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, regressou nesta terça-feira a Beirute, quase três semanas após anunciar sua demissão e partir para a Arábia Saudita de forma inesperada, constatou a AFP na capital libanesa.

"O avião de Hariri pousou no Aeroporto Internacional" de Beirute, informou a assessoria de imprensa do premier demissionário, que realizou uma visita de dois dias à França e uma escala no Egito nesta terça-feira.

Logo após chegar ao aeroporto de Beirute, Hariri entrou em um veículo e partir em comboio, sem falar com as dezenas de jornalistas que o aguardavam.

Antes do pouso, pequenos grupos de simpatizantes de Hariri desfilaram pelas ruas de Beirute com bandeiras com as cores do seu movimento e tocando buzinas.

Hariri partiu nesta terça-feira de Paris, onde passou um par de dias a convite do presidente francês, Emmanuel Macron; e fez uma escala no Cairo, para conversar com o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sissi.

Nesta quarta-feira, Hariri deve participar em Beirute da festa da Independência e esclarecer sua posição sobre a demissão surpresa, em 4 de novembro passado, em meio ao contexto de tensão entre Arábia Saudita, que apoia o premier, e o Irã, aliado do Hezbollah xiita.

O fato de Hariri anunciar sua demissão a partir de Riad e de permanecer na Arábia Saudita durante duas semanas gerou muitas dúvidas, e o presidente libanês, Michel Aoun, chegou a acusar os sauditas de mantê-lo como "refém", o que foi negado pelo próprio premier.

Aoun ainda não aceitou a renúncia de Hariri, que pretende encontrar cara a cara em Beirute.

- Apelo à unidade -Quando anunciou sua demissão, Hariri acusou o Irã e o Hezbollah de desestabilizar o Líbano, e declarou que temia por sua vida.

Muitos países estão preocupados com as repercussões da queda de braço entre Riad e Teerã envolvendo o Líbano, um país que repousa sobre um frágil equilíbrio e onde as crises políticas são habituais.

O sistema presidencial parlamentarista do Líbano determina que o primeiro-ministro seja um muçulmano sunita; o presidente, um cristão maronita; e o presidente do Parlamento, um muçulmano xiita.

Em reunião extraordinária da Liga Árabe, realizada no domingo, o ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al Jubeir, garantiu que Riad não ficará de "braços cruzados" diante da política "agressiva" do Irã.

O Líbano está sob "controle total" do Hezbollah, acusou o chefe da diplomacia de Barein, aliado da Arábia Saudita, durante a mesma reunião.

O pai de Saad Hariri, o ex-premier Rafic Hariri, morreu em um atentado com carro-bomba em fevereiro de 2005, em Beirute, em um ataque atribuído a membros do Hezbollah.

Em seu discurso habitual na véspera do dia da Independência, o presidente Aoun apelou à "unidade" e pediu que o povo libanês se afaste do dissenso e da "destruição total da qual ninguém se livraria".

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