PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Presidente teme que Colômbia perca esperança após um ano do acordo de paz

23/11/2017 21h48

Bogotá, 23 Nov 2017 (AFP) - Há um ano ele se apressava para assinar o histórico pacto para desarmar a guerrilha mais poderosa da América. Agora, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, teme que o entusiasmo que despertou a paz com as Farc se transforme em desesperança na Colômbia.

As "críticas" dos extremos políticos e as denúncias dos rebeldes sobre o descumprimento estatal os leva aos "últimos suspiros" de um processo de "transição": "Eu disse desde o começo que este processo seria muito difícil".

Desde que seu governo iniciou há quatro anos, em Cuba, as negociações com as então Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), hoje prestes a disputar as eleições em 2018 como partido, o confronto armado diminuiu em números históricos.

De uma média anual de 3.000 mortos, caíram a 78 este ano, segundo a estatal Unidade de Vítimas. "A gente se esquece de como era antes", explicou Santos em uma reunião celebrada nesta quinta-feira com correspondentes estrangeiros.

Nascido há 66 anos em uma família da elite de Bogotá, Santos mobilizou esforços para silenciar os fuzis na Colômbia, que deixou quase oito milhões de vítimas entre mortos e desaparecidos. Seu ativismo lhe rendeu o Nobel da Paz-2016.

O pacto significou a entrega de 9.000 armas nas mãos de 7.000 combatentes, um processo que finalizou em meados de agosto com o aval das Nações Unidas.

Pelo caminho foram anistiados mais de 10.000 ex-guerrilheiros, mil deles ainda presos, segundo a organização.

"Tramitamos 94 normas, das quais sete são reformas constitucionais", disse. Segundo a Fundação Paz e Reconciliação, apenas oito das 27 leis necessárias para "tornar a paz realidade" foram aprovadas.

Com uma maioria governista instável no Congresso, seu governo persiste em uma maratona legislativa para aprovar as leis estruturais do acordo, entre elas a que regulamenta o sistema de justiça que julgará ex-guerrilheiros e militares.

A nove meses de deixar a Presidência e com uma popularidade que oscila em 20%, segundo recentes pesquisas, Santos faz um balanço do primeiro ano de um acordo que milhões consideravam impensável.

A seguir, trechos da conversa do presidente com correspondentes na presidencial Casa de Nariño.

Qual o balanço do primeiro ano do acordo?"O desarmamento foi exemplar". "Em menos de um ano foram entregues todas as armas". "Aqui houve mais armas (entregues) que guerrilheiros (desmobilizados)". "Nunca tinha acontecido".

"Me preocupa que as pessoas percam a esperança na paz". "Alguns veem o copo meio cheio, outros, meio vazio. No governo o vemos meio cheio". "Eu disse desde o começo que este processo seria muito difícil (...) e que certamente haveria críticas de um lado e do outro". "Isto vem acontecendo desde o princípio com um setor pedindo mais justiça, outro mais paz".

Preocupam os anúncios da direita de modificar o pacto?"Isto é irreversível". "O próximo presidente que chegar, seja qual for o partido (...) lhe será impossível voltar atrás".

Também criticam a participação política dos ex-guerrilheiros..."Em todo o processo de paz, passam da guerra à política". "Estamos inovando para que seja compatível a Justiça com a participação política". "É uma justiça para máximos responsáveis, apenas os máximos responsáveis serão sancionados, os outros serão anistiados". "Olhe o que aconteceu na Bósnia, levou 22 anos (para que houvesse justiça). Aqui um ano depois haverá justiça".

São 200 os líderes sociais assassinados desde 2016"Tivemos problemas com os assassinatos dos líderes sociais". "Para isto há uma comissão de garantia" na qual "participam delegados das Farc, das ONGs, do Alto Comissariado para a Paz".

"Não se encontrou um padrão que aponte uma política sistemática de um setor para assassinar estes líderes sociais". "A maior parte são rixas pessoais".

fpp-raa/vel/cd/mvv

Internacional