Avião com ajuda humanitária chega ao Iêmen

Sana, 25 Nov 2017 (AFP) - Um avião carregado com ajuda humanitária do Unicef aterrissou neste sábado (25) em Sanaa, pela primeira em três semanas, desde o bloqueio total imposto no início de novembro pela coalizão liderada pela Arábia Saudita que intervém militarmente no Iêmen, constatou a AFP.

A coalizão interveio no país em março de 2015 para impedir a progressão dos rebeldes iemenitas huthis diante das forças governamentais.

Em novembro, impôs um bloqueio total ao país depois que os rebeldes - que controlam a capital Sanaa e Hodeida - dispararam um míssil balístico em direção a Arábia Saudita em 4 de novembro. O artefato foi interceptado acima do aeroporto internacional de Riad.

Na quarta-feira (22), a coalizão anunciou a reabertura do porto de Hodeida e do aeroporto de Sanaa para o transporte de ajuda humanitária, em resposta aos apelos da ONU.

O representante do Unicef para o Iêmen, Meritxell Relano, anunciou no Twitter que 1,9 milhão de vacinas contra a poliomielite chegaram na capital iemenita no carregamento deste sábado.

Segundo Fundo das Nações Unidas para a Infância, essas vacinas vão ser utilizadas para proteger 600.000 crianças contra a difteria, uma doença que tem progredido rapidamente no país em guerra.

A difteria se somou a uma epidemia de cólera que também atinge o Iêmen. Entre 27 de abril e 8 de novembro, a OMS registrou 913.741 casos suspeitos de cólera e 2.196 mortes ligadas a esta doença, mesmo que o número de casos esteja em queda há várias semanas.

Um fotógrafo da AFP constatou na pista do aeroporto de Sanaa os carregamentos de vacinas.

Três outros aviões fretados pelo Programa Mundial de Alimentos (PAM) e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pousaram neste sábado em Sanaa, mas transportando apenas funcionários, de acordo com o jornalista da AFP no aeroporto.

"Posso confirmar que o nosso avião pousou esta manhã em Sanaa", transportando pessoal, indicou à AFP a porta-voz do CICV para o Oriente Médio, Iolanda Jaquemet.

Um porta-voz do PAM indicou que um navio com ajuda ainda estava aguardando autorização para entrar no porto de Hodeida, igualmente controlado pela rebelião

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o conflito no Iêmen deixou mais de 7.750 mortos e 50.600 feridos, incluindo muitos civis, desde a intervenção da coalizão militar árabe em março de 2015.

O país tem vivido "a pior crise humanitária do planeta", segundo as Nações Unidas, que advertiram recentemente que sete milhões de iemenitas estão à beira da fome em razão do conflito.

"O impacto humanitário do que está acontecendo é inimaginável", disse o coordenador de ajuda da ONU no Iêmen, Jamie McGoldrick.

A guerra no Iêmen opõe as forças do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, que foram expulsas em setembro de 2014 da capital Sanaa, aos rebeldes huthis, muito presentes no norte do país, na fronteira com a Arábia Saudita.

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