Bolívia denuncia Chile, EUA e Almagro por críticas à candidatura de Morales

La Paz, 30 Nov 2017 (AFP) - A Bolívia qualificou nesta quinta-feira (30) de intervencionismo em assuntos internos as críticas de Estados Unidos, Chile e do secretário-geral da OEA, Luis Almagro, à decisão de um tribunal boliviano de autorizar a candidatura do presidente Evo Morales para um quarto mandato.

Amparado na Convenção Americana de Direitos Humanos, o Tribunal Constitucional boliviano avalizou a candidatura de Morales, passando por cima da Constituição de 2009, reformada pelo próprio chefe de Estado para se reeleger a um terceiro mandato de cinco anos.

Estas manifestações contrárias à candidatura de Morales, no poder desde 2006, "obedecem à trilogia de ingerência dos Estados Unidos, do secretário-geral da OEA, Luis Almagro, e dos opositores da direita boliviana", disse em coletiva de imprensa o ministro da Presidência, René Martínez.

O próprio Morales expressou em um ato público que as críticas do governo de Donald Trump, que se disse "profundamente preocupado" com a situação, o impulsionaram a continuar com sua candidatura: "eu não estava tão decidido, agora estou decidido: serei candidato em 2019. Por que os Estados Unidos têm que ameaçar, amedrontar?".

Morales também fez alusão ao Chile, cujo chanceler, Heraldo Muñoz, lembrou que um referendo popular em 2016 rejeitou previamente reformar a Constituição para favorecer a reeleição do governante boliviano.

O primeiro a questionar a decisão foi Almagro, depois que o Departamento de Estado americano pediu a Morales para respeitar "a voz do povo", em alusão ao referendo do ano passado.

"Que coincidência! Agora o Departamento de Estado dos Estados Unidos está ameaçando, condicionando, chantageando, questionando o Tribunal Constitucional com a oligarquia chilena e com a direita boliviana, os três concordando", afirmou Morales, leal aliado de Venezuela e Cuba.

A nova candidatura gerou fortes críticas na Bolívia de diferentes setores, com pedidos para rejeitarem a reeleição pela via legal e também pela força.

A ONG Assembleia Permanente de Direitos Humanos, uma das mais renomadas organizações civis e de histórica linha esquerdista, assinalou em comunicado que quando acaba o estado de direito, como o que gerou fracasso constitucional, "o povo pode exercer o direito à rebelião".

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