Absolvido imigrante ilegal citado por Trump para justificar muro

Los Angeles, 1 dez 2017 (AFP) - Um tribunal de San Francisco absolveu nesta quinta-feira o imigrante ilegal mexicano acusado de assassinato e cujo caso foi citado pelo presidente Donald Trump para justificar a construção do muro na fronteira com o México.

José Inés García Zárate, que no momento do crime já havia sido deportado cinco vezes e retornado aos EUA, foi declarado inocente do assassinato de Kathryn Steinle, em julho de 2015, informou a imprensa local.

O caso de Zárate foi citado por Trump como um exemplo da violência praticada por imigrantes ilegais e para criticar as chamadas "cidades santuário", que não cooperam com as agências federais em matéria de migração.

"Um veredicto vergonhoso no caso de Kate Steinle!", escreveu o presidente no Twitter. "Não é surpreendente que as pessoas do nosso país estejam irritadas com a imigração ilegal", completou.

Trump disse em 2015, durante uma entrevista ao canal CNN, que García Zárate, atualmente com 45anos, era um "animal que matou uma maravilhosa, linda mulher".

"Este cara já havia sido expulso para o México, mas o México nos envia novamente pela fronteira criminosos, narcotraficantes", completou o presidente, que chegou ao poder com um duro discurso anti-imigração, que incluiu a promessa de deportar milhões de pessoas sem documentos.

O júri de seis homens e seis mulheres deliberou pora quase uma semana. A Promotoria havia apresentado a possibilidade de condenação por homicídio em primeiro ou segundo grau, ou culposo. Ele foi declarado "não culpado".

O imigrante foi condenado apenas por posse ilegal de armas, delito que pode resultar em uma pena de dois a três anos, que ele já teria cumprido em sua quase totalidade.

A data da audiência para a sentença ainda não foi divulgada, mas Tom Homan, diretor adjunto do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) antecipou à AFP que García será deportado assim que for libertado.

O tiro que matou Steinle em 15 de julho de 2015 partiu de uma pistola que Garcia encontrou envolvida em um pano. A defesa argumentou que a arma disparou quando ele a deixou cair por acidente e a bala ricocheteou no concreto antes atingir a mulher pelas costas na área turística do Pier 14.

"Estou aliviado", disse o advogado público Jeff Adachi.

A arma havia sido roubada uma semana antes do automóvel de um agente federal, que a polícia não conseguiu vincular ao acusado, que na época vivia nas ruas.

"Nunca tivemos um segundo de raiva", disse o irmão da vítima, Jim Steinle.

"Frustração, talvez, tristeza, com certeza, mas nunca raiva ou desejo de vingança. Mesmo que ele fosse condenado a 100 anos não resolveria nada".

O caso levou a Câmara de Representantes a aprovar um projeto de lei que impunha restrições de acesso a fundos federais para as "cidades santuário", e outro que endurecia as penas de prisão para imigrantes que retornaram ilegalmente aos EUA após sua deportação.

A segunda legislação recebeu exatamente o nome de "Lei de Kate", em referência ao caso.

Os dois projetos foram barrados no Senado.

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